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O Brasil tupiniquim virou novela jurídica

Nesta terça (13/01), o ministro Alexandre de Moraes rejeitou mais um recurso da defesa de Jair Bolsonaro e confirmou: a pena de 27 anos e três meses segue sendo cumprida em regime fechado. A decisão vem após o trânsito em julgado da condenação no caso da trama golpista de 8 de janeiro e encerra mais uma tentativa de protelação jurídica.

O que salta aos olhos não é apenas a robustez (ou a dureza) da decisão, mas a sensação de excesso de pedidos e provocações. A defesa parece ter transformado cada centímetro de chance em uma articulação interminável de recursos, quase um espetáculo jurídico à parte. A cada negação, brota outro expediente; a cada despacho do STF, surge um novo recurso. É como se estivesse sendo encenada uma peça sem fim, onde o público já não sabe mais se é drama, comédia ou tragédia.

E aí entra o aspecto humano da situação: longe das tribunas e das teses jurídicas, o homem Bolsonaro, hoje alienado do poder que já ocupou, dá sinais de fragilidade física. Aos olhos públicos, o ex-presidente passou de líder nacional para uma figura de velhinho doente, alvo de pedidos de prisão domiciliar por motivos de saúde e hospitalizações recentes, realidade muito diferente da imagem combativa que sempre evocou enquanto governou e polarizou o país.

Nesse cenário, fica a impressão de que a estratégia de prolongar a via crucis judicial não faz bem nem à causa nem à narrativa política que ele construiu durante anos. Ao insistir em manobras, parece mais um personagem preso nas próprias contradições do que um protagonista capaz de conduzir debates sérios sobre o futuro do Brasil.

No fim, a sequência de recursos, alguns críticos dizem até que são provocações ao Judiciário, só reforça a sensação de que, mais do que um político encarcerado, este é um homem lidando com sua própria fragilidade em praça pública. E o palco é o país inteiro.

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