Ora, mas só em Brasília mesmo para ver ministro dar chilique nas sessões como se estivesse numa DR dramática de novela das nove. Gilmar Mendes, que já coleciona momentos de estrelismo judicial, resolveu jogar ácido verbal contra Luiz Fux: chamou o colega de “figura lamentável” e sugeriu que ele precisa de terapia para superar traumas. E aí, quem segura?
Imagina a cena: dois ministros, cada um com toga, olhando um para o outro como se fosse final de reality show. Um dizendo que o outro precisa tratar os próprios fantasmas internos. O outro, coitado, ficando com um lado do rosto queimado. É quase Shakespeare com toga.
Mas vamos à crônica do caos institucional. Gilmar arremessa a acusação pesada – “lamentável” – que é mais que crítica, é ofensa emblemática. E ainda mete a “terapia” no meio, naquela fórmula de gente que acha que diagnose é palavrinha de efeito. Envolve vulnerabilidade psicológica como arma. É o tipo de ataque que incendeia tribunais e acende versões de bastidor que logo chegam à mídia e viram manchete: “Supremo em guerra civil”. É esse o espetáculo que o público ganha. Mais um, aliás!
É óbvio que em qualquer disputa institucional há disputas por poder, egos feridos, alianças e casuísmos jurídicos. Mas mandar um colega cuidar da psique enquanto desfere “lamentável”? Isso não é crítica técnica, é facada retórica com selo de ego ferido. É escalada de desrespeito institucional. Mas fazer o que, se essa não foi a primeira e nem será a última vez?
E esse tipo de conflito interno reverbera lá fora. Quem está de fora assiste pensando: “Juristas brigando como adolescentes que esqueceram a aula de etiqueta”. E o cidadão comum? Fica naquela expectativa: quando nossas instituições vão virar um circo, já com ingresso à venda?
No fim, o episódio Gilmar vs. Fux é mais um capítulo do show de horrores que virou o Supremo. E sobra para quem assiste e espera que a justiça brilhe, não que vire ringue de terapia coletiva e guerra psicológica entre ministros.








