OUTROS ARTIGOS

“Com a boca no mundo”: renúncia de Zambelli não passa de uma tentativa de sobrevivência

A política brasileira nunca perde o talento para o roteiro de novela, e o mais novo capítulo atende pelo nome Carla Zambelli. Diante da decisão do STF que determinou a perda de seu mandato, a deputada resolveu sair de cena antes do empurrão final: renunciou. Oficialmente, um gesto “técnico”. Nos bastidores, uma jogada clássica de sobrevivência política.

A estratégia é conhecida: ao renunciar antes da conclusão formal do processo, Zambelli tenta escapar da punição mais temida: a inelegibilidade automática. Não é altruísmo, tampouco súbito apego às instituições. É cálculo frio. A renúncia aparece como boia salva-vidas para preservar direitos políticos e manter aberta a porta de uma futura candidatura, ainda que o caminho passe antes pelo sistema prisional. Sóstenes Cavalcante, um dos que mais bradam sobre as “perseguições políticas” disse que Zambelli tenta sobreviver. Ela foi condenada! Será que ele teria o mesmo posicionamento se a pessoa perseguida na rua com uma arma pela deputada fosse alguém da família dele?

E a pergunta que ecoa nos corredores do poder é direta e incômoda: o Judiciário vai engolir essa manobra? O STF já deixou claro, em outros episódios, que não vê com bons olhos tentativas de driblar decisões por atalhos regimentais. Renunciar depois que a condenação está posta soa menos como respeito às regras e mais como tentativa de escapar delas.

Para os apoiadores, Zambelli estaria sendo “perseguida” e apenas se defendendo. Para os críticos e para boa parte da opinião pública, o gesto cheira a esperteza fora de tempo, aquela velha aposta de que a burocracia pode ser mais lenta que a indignação social. Resta saber se a Justiça aceitará a renúncia como ponto final ou se fará questão de escrever o epílogo. Com eleições no próximo ano, há que aposte que com a dosimetria acontecendo, Zambelli possa até mesmo ter sua pena reduzida e ser candidata. Aos mais céticos, ao menos a colocaria em disputas futuras, o que também é repugnante.

E não é um posicionamento porque é direita ou esquerda. É porque se o Brasil quer uma política honesta, precisa de representantes que o façam. Alguém condenada a 10 anos de cadeia, que hoje está presa na Itália porque fugiu, não é um exemplo. Como também não é quem foge do país para não ser preso. Aliás, queria muito ver algum deputado e senador pautarem pelo banimento político de quem tiver sentença transitada em julgado. Não é nem questão de ser ficha limpa. É questão de moral. Nunca um Congresso foi tão ruim como o atual. E 2026 espero que a população saiba votar e eleger pessoas que não fazem parte da atual legislatura.

Compartilhe AGORA:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *