A Globo anunciou mudanças em sua grade para 2026, e o burburinho não é dos mais animados. O tradicional “Profissão Repórter”, um dos raros respiros jornalísticos da emissora, deixa de existir como programa independente e passa a ser um quadro dentro do “Fantástico”. Em outras palavras: mais uma derrota para o jornalismo e um gol de placa para o entretenimento vazio.
A atração comandada por Caco Barcellos, símbolo de credibilidade e reportagem de rua, agora terá que dividir espaço com danças, quadros de humor e matérias “inspiradoras”. É o fim da linha para um dos últimos bastiões do conteúdo que informava, investigava e fazia pensar.
Enquanto isso, o “Padrão Globo de Jornalismo” parece ter virado uma espécie de TikTok institucional, onde tudo precisa ser leve, rápido e vendável. O que antes era profundidade agora se resume a cortes frenéticos e frases de efeito.
Na nova grade, o que cresce é o espaço para realities, novelas e futebol — a trindade sagrada da audiência. O raciocínio é simples: quanto menos reflexão, mais ibope. O problema é que, nesse jogo, quem perde é o telespectador, cada vez mais órfão de jornalismo de verdade.
O “Profissão Repórter” talvez sobreviva como lembrança, mas o espírito que o guiava – a curiosidade, a ética, a escuta – esse parece ter saído definitivamente do ar.








