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“Com a boca no mundo”: mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem chegam ao fim

Brasília agora, tem dois mandatos a menos e com mais um capítulo do velho roteiro bolsonarista: quando a Justiça aperta, a mala fecha e o passaporte some na gaveta. Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem entram oficialmente para a galeria dos parlamentares que perderam o mandato sem jamais admitir responsabilidade. O discurso, como sempre, é de perseguição. A prática, de abandono.

Nos bastidores, o clima é de constrangimento até entre aliados. Hugo Motta, presidente da Câmara, fez o que qualquer político com instinto de sobrevivência faria: não comprou briga com o STF. Não se trata de coragem ou covardia, mas de cálculo. Enfrentar o Supremo para salvar dois nomes já desgastados seria sangrar por uma causa perdida e Motta sabe disso. Exemplo foi Carla Zambelli, presa na Itália e também declarada sem mandato após pronunciamento de Alexandre de Moraes, conforme a Constituição Federal.

O PL, por sua vez, ensaia aquele teatro protocolar. Fala em tentar “salvar os mandatos”, em recorrer, em mobilizar a base. Mas a verdade corre solta nos corredores do Congresso: as chances de reversão são mínimas. Quase nulas. É discurso para consumo de rede social, não para mudar decisão judicial.

E aí entra o detalhe que mais incomoda: a fuga. Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro. Ramagem desembarcou por lá em setembro, acompanhado da esposa, que virou porta-voz do vitimismo digital, repetindo o mantra de que são “injustiçados”, “perseguidos”, “vítimas do sistema”. Tudo muito conveniente para quem escolheu a distância segura do território brasileiro para chorar nas redes.

Enquanto isso, o mandato, aquele que deveria ser exercido com presença, voto e responsabilidade, virou acessório descartável. Não houve enfrentamento político, não houve defesa institucional. Houve aeroporto.

Eduardo e Ramagem viram símbolos de algo que a população já cansou de ver e rejeita nas urnas: parlamentares que confundem imunidade com impunidade, que atacam instituições enquanto ocupam cargos públicos e que, na hora do aperto, terceirizam a culpa e internacionalizam a fuga.

Não é só o fim de dois mandatos. É o retrato de um tipo de política que a sociedade não quer mais ver sentada no plenário. E, pelo visto, nem no país.

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