Atenção, sociedade elegante e leitora desta coluna sempre antenada: parece que temos uma nova tendência circulando pelas ruas e manchetes: o criminoso-vitimista. Pois é. Agora, segundo certos personagens, você pode estar envolvido na morte de alguém e ainda assim desfilar por aí dizendo que está sendo “perseguido”. É sobre isso e tá tudo errado.
O caso da vez envolve William Gustavo de Jesus, 20 anos, um dos réus pela morte de Alice Martins Alves, mulher trans brutalmente agredida e morta na Savassi. Alice morreu após o ataque, mas, curiosamente, quem anda reclamando de sofrimento é o rapaz apontado pela polícia como um dos responsáveis pela violência. Na entrevista dada ao Estado de Minas, ele solta um “é frustrante” com a leveza de quem fala do atraso do pedido no restaurante, não da morte de uma pessoa. Como pode alguém que participou de um episódio desses se colocar no centro da dor? A moda agora é criminoso posar de vítima?
William diz que “não agrediu” Alice: apenas a perseguiu pelas ruas para “cobrar conta”, a mando do gerente do bar. Tudo muito elegante, muito refinado para quem quer convencer alguém de inocência. Correr atrás de uma mulher trans à noite, no meio da rua, logo antes de ela ser espancada. Que coincidência fabulosa, não?
Nesta festa macabra que virou parte do noticiário, a pergunta ecoa pelos salões desta coluna: quando foi que responsabilização virou opcional? Quando foi que matar alguém deixou de ser suficientemente grave para que o acusado achasse espaço para chororô público?
A verdade é simples, embora alguns tentem maquiá-la: quem comete crime deve pagar. Ponto. Sem figurino de vítima, sem performance emocional, sem narrativa ensaiada. Justiça se faz com lei, e não com discurso.
Porque, por aqui, a regra é clara, quem tira a vida de alguém não ganha palco: ganha julgamento. E que seja conforme a lei, sem desfile, sem glamour e, principalmente, sem essa nova moda patética de criminoso pedindo colo.








