A manhã no Bairro Flávio Marques Lisboa amanheceu, nessa quinta-feira (4), com um silêncio estranho. A quadra, antes cheia de crianças, virou cenário de guerra: garrafas, copos tombados, churrasqueira abandonada e, na parede, marcas de tiros, uma lembrança da noite anterior, quando um churrasquinho supostamente bancado pelo tráfico terminou em terror. Três homens, armados e vestidos como policiais civis, chegaram atirando. Dois mortos, nove feridos, e um rastro de pânico que se espalhou pelo bairro.
As lojas fecharam, as igrejas também. Quem ousava sair de casa desviava até de grupos tomando café, tamanho o medo de cruzar com alguém “do lado errado”. Moradores falam em mudar, tirar filhos da escola, abandonar o bairro. A sensação é de que ninguém está seguro, nem na praça, nem na porta de casa.
A polícia acredita em disputa entre facções ligadas ao Rio e São Paulo, mais um capítulo do avanço da violência na Grande BH. Um dos atiradores morreu, outro foi preso tentando se esconder numa casa, e o restante fugiu.
Enquanto o governo tenta tranquilizar a população com notas oficiais e promessas de operações integradas, o povo segue apavorado, vivendo entre a rotina e o risco. No Flávio Marques Lisboa, o medo virou vizinho permanente e ninguém sabe até quando.








