OUTROS ARTIGOS

Zema em Nárnia: o aventureiro que sonha com o Planalto

Romeu Zema insiste em ser “cabeça de chapa” na corrida presidencial de 2026, animado com suas próprias declarações e convicções – mas está vivendo um delírio político digno de Nárnia.

O governador de Minas Gerais, que virou notícia por afirmar que é diferente de Flávio Bolsonaro e dos outros pré-candidatos à direita, tenta se vender como alternativa nacional. O problema? A política brasileira não funciona como Minas em 2018 ou 2022 – e Zema não tem envergadura nem projeção fora de seu estado natal. Pesquisas recentes mostram que, em nível nacional, ele é pouco mais do que um nome residual: com percentuais de intenção de voto baixos e quase desconhecido em grande parte do país, especialmente no Nordeste.

É curioso ver o pré-candidato tentar se distanciar de Flávio Bolsonaro em teoria, quando na prática seu alinhamento ideológico não foge muito do mesmo espectro: ambos puxam para a direita tradicional, criticam a gestão federal e apostam na polarização como motor de campanha, um discurso que, por si só, já foi testado e não decolou entre eleitores fora da base bolsonarista.

Zema teve sorte em Minas e isso não é pouca coisa. Ao surfarem na onda do antipetismo e do desgaste dos tradicionais partidos, ele conseguiu ser eleito e reeleito governador. Mas confundir esse êxito regional com apelo nacional é um erro de cálculo político. Acreditar que o Brasil inteiro fará a mesma “besteira” que Minas fez nas urnas é ignorar que 90% do eleitorado ainda não o conhece ou o vê com reservas.

No fim das contas, Zema pode até insistir em ser cabeça de chapa, mas sem envergadura real nem base nacional consolidada, parece mais um aventureiro cultuando seu próprio mito do que um candidato capaz de competir de verdade pelo Planalto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *