Quando Donald Trump declarou que “agora não se sente obrigado a pensar apenas na paz”, muitos ficaram pasmos, até porque a frase, dita em carta ao premiê da Noruega após o Nobel da Paz ter ido para outra pessoa, soa como se fosse uma grande novidade em sua trajetória política. A mensagem, publicada em vários veículos internacionais, dizia que por não ter recebido o prêmio, ele agora pode “pensar no que é bom e adequado para os Estados Unidos” em vez de focar só em paz.
Mas convenhamos: dizer depois que a paz não é a prioridade exclusiva não é sinônimo de ser “a favor da paz”. Trump nunca foi pacifista. Seus mandatos são marcados por um estilo combativo, desde retórica agressiva, imposição de tarifas a aliados, até a ideia de que os EUA precisam controlar territórios como a Groenlândia para “fazer o mundo seguro”.
A construção dessa narrativa de “fazedor de paz” parece mais uma tentativa de polir a imagem do que um retrato fiel de sua política externa. Promessas de acabar com guerras vêm carregadas de paradoxos: por um lado, ele afirma ter encerrado conflitos, por outro, reacende tensões e ameaças de arrefecer alianças tradicionais.
É curioso observar que a comemoração por não priorizar a paz coincide com atitudes que podem justamente minar estabilidade, questionando soberania de países aliados, pressionando instituições internacionais e rearranjando parcerias segundo critérios pragmáticos e muitas vezes hostis.
No fim das contas, essa fala não é um novo compromisso com a paz, mas a confirmação de algo que já estava claro há muito tempo: Trump nunca foi, de fato, um presidente que teve como objetivo principal promover a paz mundial.








