A nova escalada na disputa comercial entre Estados Unidos e China pode abrir espaço estratégico para o Brasil no mercado internacional. Na sexta-feira (10), o presidente Donald Trump anunciou que as tarifas sobre produtos chineses serão elevadas em 100%, somando-se aos 30% já em vigor. A medida, classificada como resposta à decisão de Xi Jinping de restringir a exportação de terras raras — insumo essencial para a produção de eletrônicos e veículos elétricos —, deve entrar em vigor em 1º de novembro.
Com a relação entre as duas maiores economias do mundo em deterioração, analistas avaliam que a China poderá buscar novos fornecedores para suprir sua demanda interna, criando uma janela de oportunidade para países como o Brasil. Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, relembrou o efeito semelhante ocorrido no mercado de soja, quando os chineses reduziram drasticamente as compras de produtores americanos e ampliaram as importações do grão brasileiro.
“Basta observar o que aconteceu com a soja brasileira, que alcançou recordes de exportação para a China após a redução das compras dos Estados Unidos. Esse movimento tende a se repetir em outras cadeias produtivas”, analisou.
Atualmente, a China já é o principal parceiro comercial do Brasil. Entre janeiro e junho deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 30,09 bilhões para o lado brasileiro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Apesar do saldo positivo, o valor representa queda de quase 30% em comparação ao mesmo período de 2024, o que indica espaço para crescimento nas exportações.
No exemplo citado por Lopes, informações da American Farm Bureau Federation mostram que, entre janeiro e agosto deste ano, as compras chinesas de soja americana caíram cerca de 80% em relação a 2024. Enquanto os EUA venderam 5,8 milhões de toneladas aos chineses em 2025, o Brasil exportou mais de 77 milhões de toneladas para o mesmo destino, consolidando-se como o principal fornecedor do grão para o gigante asiático.
Em meio à disputa comercial entre Washington e Pequim, o agronegócio e outros setores brasileiros podem se posicionar para ampliar sua presença no mercado externo — desde que haja estratégia e capacidade de resposta rápida às mudanças do cenário geopolítico.








