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O xadrez da vaga no STF

Com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, abre-se mais do que uma cadeira no Supremo Tribunal Federal: escancara-se um tabuleiro político onde cada movimento é calculado com a precisão de quem sabe que, no Brasil, ocupar o STF significa influenciar o rumo institucional do país por décadas. O nome mais forte no momento é o de Jorge Messias, da AGU, figura bem relacionada nos bastidores e vista como alinhada ao projeto de estabilidade jurídica que o governo tenta vender. Não é escolha ideológica, é escolha estratégica.

Corre por fora Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, habilidoso no trânsito entre governo e oposição. Mas é justamente essa habilidade que o tira da disputa agora. Lula sabe que precisará de Pacheco inteiro, articulado e disposto a blindar o governo nas pautas sensíveis da campanha de 2026. Entregá-lo ao STF significaria abrir mão de uma peça-chave no Congresso e uma força na disputa pelo governo de Minas, Estado que costuma ser determinante para a eleição presidencial. E Lula, experiente, não desperdiça ativos antes da hora.

Fala-se muito sobre representatividade, sobre a importância de uma mulher ocupar a vaga. Na prática, contudo, as chances são quase nulas. O discurso progressista esbarra na realpolitik que orienta as decisões de cúpula. O STF, mais do que um símbolo, é ferramenta de governabilidade. E nessa lógica, o critério identitário se torna acessório diante das urgências políticas.

O leitor atento precisa compreender: indicações ao Supremo não são gestos isolados. São pactos. Um ministro do STF é também uma mensagem — para o mercado, para os militares, para o Congresso e, sobretudo, para a elite jurídica que observa cada nome com a lupa do poder. Lula, que já entendeu como poucos a engrenagem institucional brasileira, deve apostar em alguém de confiança, capaz de preservar a harmonia entre Executivo e Judiciário sem gerar atritos desnecessários.

Messias surge, então, como o nome possível dentro do jogo real. Não o mais popular, não o mais progressista, mas o mais funcional. E no Brasil, entre o ideal e o possível, costuma prevalecer o que garante governabilidade. Outro nome que não o dele ou de Pacheco seria uma grande surpresa.

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João Vitor Viana

João Vitor Viana é jornalista formado, advogado e pós-graduado em marketing

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