E então, o incêndio que matou dez jovens no Ninho do Urubu foi só uma “tragédia”. Acidente. Fatalidade. A Justiça decidiu que ninguém é culpado. Que os meninos morreram porque o destino quis assim. E o Flamengo, um dos clubes mais ricos do país, sai praticamente ileso, como se os corpos queimados, os sonhos interrompidos e as famílias devastadas não merecessem uma resposta à altura da dor.
Mas será mesmo que ninguém tem culpa? Que ninguém sabia que os alojamentos improvisados eram inseguros, que os contêineres usados como dormitórios eram uma bomba-relógio? Que o clube, avisado por fiscalizações e relatórios técnicos, escolheu o silêncio conveniente em vez da responsabilidade?
É preciso coragem para chamar de “justiça” uma decisão que absolve dirigentes, engenheiros e responsáveis por um centro de treinamento sem alvará, sem estrutura e sem respeito pela vida. O recado é claro: quando se trata de um gigante do futebol, a balança pesa diferente. Vemos isso em vários cenários onde o poderoso Flamengo está. Para quem achava que a questão do Bruno Henrique estar jogando era um absurdo, durmam com essa!
Os meninos da base, tratados como mercadoria promissora, viraram estatística. Suas famílias, que lutam há anos por justiça, agora veem o poder econômico vencer mais uma vez o direito à dignidade. Enquanto os advogados comemoram a absolvição, as mães choram de novo, mas não pelos filhos que se foram, mas pela certeza de que o Brasil segue perdoando os poderosos e sendo coniventes com criminosos!
Dez adolescentes morreram carbonizados. Nenhum culpado. Que país é esse onde a morte coletiva de crianças em instalações irregulares não comove nem pune? Onde a vida vale menos que o escudo bordado na camisa?








