A Casa Apis (Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro) informou nesta segunda-feira que cerca de 95 toneladas de mel orgânico produzido no Piauí estão retidas no Porto do Pecém, no Ceará. O motivo é a suspensão das exportações para os Estados Unidos, após o anúncio do governo norte-americano de que produtos brasileiros passarão a ser taxados em 50% a partir de 1º de agosto.
O que motivou a paralisação
Os compradores americanos solicitaram que as cooperativas brasileiras interrompessem os envios, receosos de que o mel não chegue a tempo ao destino e acabe sujeito à nova alíquota, o que elevaria significativamente os custos. O cancelamento ocorreu na última sexta-feira, apenas dois dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a taxação — uma resposta, segundo ele, a decisões das instituições brasileiras relacionadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e sua derrota nas eleições de 2022.
“Recebemos o comunicado dos nossos clientes pedindo a suspensão do embarque. Temos cinco contêineres, totalizando cerca de 95 toneladas de mel, prontos no Porto do Pecém, já com todo o despacho aduaneiro finalizado, apenas aguardando a operação dos navios”, declarou Sitônio Dantas, presidente da Casa Apis, em entrevista à TV Globo.
Caminho interrompido
O mel percorreu mais de 500 km por rodovia, saindo de Picos (PI) até São Gonçalo do Amarante (CE), onde fica o porto. De lá, seguiria de navio até os EUA. Agora, a Casa Apis tenta evitar prejuízos e busca alternativas para comercializar o produto já embarcado.
“Fomos pegos de surpresa. Nossa representante nos EUA, que é brasileira, está tentando reverter a situação com os compradores, com quem temos uma relação próxima, para ver se conseguimos ao menos embarcar esses cinco contêineres que já estão em Pecém”, explicou Dantas.
Impacto nas exportações brasileiras
A medida de Trump pode provocar uma queda de até 75% nas exportações brasileiras de alimentos para os Estados Unidos, segundo o Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 2024, o setor foi responsável por US$ 12,1 bilhões em exportações para o país.
Se confirmada, a tarifação pode causar uma retração de até 0,41% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Nos EUA, o impacto seria mais brando: uma redução estimada de 0,08% no PIB e até US$ 18,4 bilhões a menos em consumo.
Os produtos mais afetados pela nova taxa de importação são carne, café, suco de laranja e açúcar — este último já enfrentando alíquotas de até 19,79%. Com a taxação de 50%, o temor é que os produtos brasileiros percam espaço e sejam substituídos por concorrentes de outros países.








