OUTROS ARTIGOS

Copa do Mundo 2026: não teve o chamado “Grupo da Morte”

A primeira conclusão óbvia é técnica: com 12 grupos e oito “melhores terceiros”, o torneio perdeu um pouco da rigidez do clássico “Grupo da Morte”. O aumento de seleções deixa os confrontos mais fortes tecnicamente mais para adiante, inclusive já na segunda fase. Contudo, a tendência é que, num primeiro momento, os favoritos passem. Mesmo o futebol sendo um esporte onde nem sempre o melhor vence, quando se trata de seleção, isso é um pouco mais recorrente. Até porque, algumas equipes nem futebol profissional têm em seus países. Mas, obviamente, fica sempre a torcida para um favorito tropeçar, alguém surpreender…  Vamos ver em junho!

O formato do mata-mata é a chave tática desta edição: avançam os 12 primeiros, 12 segundos e oito melhores terceiros. Diferentemente das últimas edições, haverá uma rodada a mais, com centenas de combinações possíveis na tabela predefinida da FIFA que determinam os duelos conforme os grupos dos terceiros classificados. Resultado prático: terminar em 1º dá vantagem provável (e mais previsível) no sorteio do adversário; ser 2º ou depender de ser um dos melhores terceiros pode colocar uma seleção contra um “primeiro” de um grupo teoricamente forte já na primeira eliminatória. Esse chaveamento também é novidade.

No caso brasileiro: o sorteio colocou o Brasil em um Grupo C que, sobre o papel, é administrável, com Marrocos, Escócia e Haiti. Mas isso não garante um caminho simples no mata-mata. Se o Brasil vencer o grupo, o adversário do “R32” será definido pela combinação dos terceiros; é perfeitamente plausível topar com um terceiro “forte” vindo de uma chave duríssima (por exemplo, um terceiro de um grupo com França, Espanha ou Alemanha), o que transforma o “bom” grupo inicial numa rota de maior dificuldade mais à frente. Se o Brasil terminar 2º ou, pior, depender de um terceiro, o caminho pode cruzar com favoritos muito cedo. Em suma: controlar o desempenho e a forma física nas três rodadas de grupos é tão importante quanto “ganhar o grupo” no papel.

Outro efeito prático do novo formato é a estratégia de gestão de elenco. Seleções grandes poderão se ver forçadas a não poupar tanto, porque uma derrota ou empate inesperado pode transformar um adversário de R32 em uma pedreira. Por outro lado, seleções menores ganham incentivo real para jogar ofensivamente e buscar vitórias, o prêmio de um dos “oito terceiros” torna a fase de grupos mais imprevisível e taticamente aberta, quando se trata de “quem será o terceiro colocado”.

Conclusão: não houve um único “grupo da morte” incontestável, mas há várias chaves tensas; o verdadeiro jogo começa na definição dos terceiros que avançarem e aí nasce o mapa do mata-mata. Para o Brasil, a tranquilidade inicial do Grupo C só valerá se houver controle de desgaste, leitura precisa dos adversários e, sobretudo, ambição em terminar em primeiro para minimizar surpresas já na segunda fase. Para isso, é bom Ancelotti olhar bem o material humano que tem, evitar levar atletas que não farão a diferença, ainda que a mídia peça. Inclusive, ainda há tempo de esquecer alguns convocados corriqueiros, principalmente laterais, volantes e meias. Além disso, até hoje o Brasil não focou que precisa de um meia que pense e articule o jogo. E lá na frente, há muito o que se avaliar. Mas, pessoalmente, queria outros nomes na lista final. Isso para por não contar, por exemplo, com Paquetá, Richarlisson e outros nomes.

Picture of João Vitor Viana

João Vitor Viana

João Vitor Viana é jornalista formado, advogado e pós-graduado em marketing

Veja todos os posts deste autor >

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *