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“Com a boca no mundo”: palco de fachada de Ibaneis Rocha

Senhoras e senhores, sintam o cheiro do teatro político em Brasília: nada como um governador com tempo de sobra para brincar de legislador ideológico enquanto o povo – esse mesmo que paga os impostos e sofre com faltas – espera por água, saúde e transporte. Pois é exatamente essa pantomima que assistimos com Ibaneis Rocha, ao sancionar uma lei que institui o “Dia da Memória das Vítimas do Comunismo” para o Distrito Federal. Em que isso vai mudar a vida da população?

Vamos combinar: qual é o ponto de prioridade disso enquanto moradias incham, filas nos hospitais lotam e a cidade ruge com demandas urgentes? É fácil fazer lei simbólica! O difícil é governar com resultados concretos. Quando um gestor perambula por palcos de ideologia, manda mimos simbólicos e esquece do básico, é sinal de que está governando para o próprio ego, e não para o cidadão.

Mas vamos à pergunta que não cala: por que inventar um dia nacional de “memória ao comunismo” num cenário em que o drama é outro, como corrupção, desigualdade, abandono de bairros inteiros, violência, educação pública que racha, saúde em apagão? Principalmente em Brasília, aliás! A resposta: porque é mais barato para o poder executar um show retórico do que agir no real. É menos custoso, menos rude, menos comprometedor. E enquanto a mídia grita por narrativas, o governo se vangloria da sanção e espera aplaudir como quem fez algo grandioso. Nunca melhor dizer: “política de palco”.

Governar não é redigir símbolos e decretos pontuais. Governar é administrar com cintura, é atender emergências, é colocar ambulâncias com combustível, é garantir creche, transporte e moradia digna. Se o governador tivesse espírito de administrador – não de dramaturgo – estaria debatendo crise hídrica, segurança, saúde mental, esgoto, meio ambiente, entre outros, e não promovendo datas comemorativas de memória. Essa lei sancionada é retrato de quem não tem o que mostrar e prefere ostentar a façanha de “ideologizar” a gestão. É aquele típico político que gosta de rir da desgraça alheia, fazer piada de coisas sem sentido e subir em palco para promover ódio contra alguém ou algum grupo apenas para se mostrar “alinhado com alguma coisa, ainda que pífia”.

Meu caro Ibaneis: já reparou que os gráficos de pobreza não comemoram datas simbólicas? Eles gritam por providências, remédios, escolas, segurança. Esta lei só serve para dizer: “estou no controle da narrativa”. Para mim, mais um artifício de marketing político com cheiro de vitrine vazia.

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