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“Com a boca no mundo”: o intocável do STJD

No tribunal esportivo onde cada gesto é julgado com lupa – ou deveria -, o caso Bruno Henrique virou a mais nova peça de um teatro antigo: o das decisões seletivas. A coluna social do futebol, sempre atenta aos bastidores da bola e do poder, não poderia deixar de notar o clima estranho que cercou o julgamento do atacante do Flamengo no STJD.

É curioso, para dizer o mínimo, que episódios recentes, bem menos graves, tenham rendido punições duras, suspensões imediatas e discursos inflamados sobre “coibir excessos”. Jogadores de clubes menores, sem a vitrine rubro-negra, receberam sentenças rápidas, quase exemplares demais, daqueles julgamentos que servem mais para mostrar força do tribunal do que justiça real.

Mas quando o foco é Bruno Henrique, o rigor parece evaporar. O tom dos auditores muda, o ritmo desacelera, a interpretação das imagens fica súbita e convenientemente subjetiva. Os mesmos que costumam erguer a bandeira da disciplina esportiva tratam o caso com uma delicadeza que não aparece em outros processos. Coincidência? No futebol brasileiro, coincidências assim são raríssimas. Ainda mais se é atleta do Flamengo! Diante do Sport, em jogo com muitas expulsões – para o Sport, lógico – deixou o dele. Com dois a mais… até o XV de Piracicaba, né?

A impressão que fica nos corredores, e que se comenta, baixinho, nas rodinhas de dirigentes e jornalistas, é que existe uma blindagem tácita quando o assunto envolve o Flamengo e seus protagonistas. Não é teoria conspiratória; é observação de quem acompanha o vai-e-vem das pautas do STJD há anos. Afinal, o que dizer sobre justiça e Flamengo quando 10 garotos morrem queimados em CT e tudo fica por isso mesmo? Um conluio para enriquecimento ilícito é fichinha!

Se a justiça esportiva existe para ser igual para todos, está na hora de explicar por que alguns seguem enfrentando o martelo, enquanto outros, como BH, parecem atravessar tempestades sem se molhar. Afinal, no jogo político da bola, parece que ainda há aqueles que jogam com regras próprias.

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