O episódio mais recente envolvendo o ministro Dias Toffoli expõe algo maior que uma suspeita de vazamento: revela o desgaste institucional de um Supremo que passou a viver sob permanente estado de tensão política.
Segundo uma reportagem do jornal O Tempo, ministros passaram a desconfiar que falas de uma reunião fechada, convocada pelo presidente Edson Fachin, foram reproduzidas integralmente por um portal. Toffoli nega ter gravado ou relatado conversas e chegou a levantar dúvidas sobre o setor de tecnologia da Corte.
Mas, independentemente de quem vazou, a pergunta central é outra: por que o Supremo se tornou um ambiente onde todos suspeitam de todos?
A reunião existiu porque havia pressão para afastar Toffoli de uma investigação bilionária ligada ao chamado caso Master. Parte dos ministros defendia a permanência dele; outra queria levar a suspeição ao plenário. Houve críticas à Polícia Federal, acusações de interferência política e até a avaliação de que o relatório contra o magistrado seria “lixo jurídico”.
Ou seja: não estamos diante apenas de um possível vazamento, mas sim de uma Corte dividida.
Nos últimos anos, Toffoli simboliza um fenômeno curioso do Judiciário brasileiro: ministros deixaram de ser apenas intérpretes da Constituição e passaram a ocupar o centro do conflito político nacional. Tornaram-se personagens, não apenas juízes. E quando juízes viram atores, decisões passam a ser lidas como posições.
O problema não é individual, é estrutural. Quando colegas discutem se a polícia pode investigar um ministro, quando há temor de espionagem interna e quando reuniões privadas viram manchetes, a autoridade institucional já está ferida. A toga perde silêncio e ganha ruído.
A defesa de Toffoli pode ser legítima. A investigação também pode ser. O que não pode é o Supremo funcionar como arena de desconfiança permanente.
Porque cortes constitucionais dependem menos de poder e mais de credibilidade.
E credibilidade não se decreta: se constrói ou se perde.
Hoje, o STF não enfrenta apenas uma crise sobre um ministro. Enfrenta uma crise sobre si mesmo.








