As redes sociais, que poderiam ser ferramentas poderosas de diálogo, transparência e aproximação entre representantes e representados, tornaram-se, para muitos políticos, palanques de mentira, ataque e desinformação. Em vez de prestar contas, apresentar projetos ou debater soluções concretas para os problemas do país, há quem prefira usar o celular como arma: espalha notícias falsas, distorce fatos, agride adversários e tenta reescrever a própria biografia, quase sempre para esconder erros, crimes ou escândalos.
Não é raro ver vereador que passa o mandato inteiro falando de deputado, como se fiscalizar Brasília fosse mais importante do que legislar para o bairro que o elegeu. Projeto, indicação, proposta? Nada. O mandato vira um perfil de rede social dedicado a lacrar, provocar e desviar o foco da própria inutilidade. Enquanto isso, deputados criam fatos artificiais, cortinas de fumaça bem ensaiadas, para abafar denúncias que envolvem aliados, assessores ou familiares. O roteiro é velho: surge o escândalo, inventa-se uma polêmica, joga-se para a plateia digital e torce-se para que o algoritmo faça o resto.
Há também o cinismo escancarado. Deputado flagrado com dinheiro vivo, sem explicação plausível, aparece em público com um documento de compra – não de venda – como se isso fosse prova de inocência. E ainda há quem aplauda. Governador que come banana com casca para viralizar, outro que bate martelo de forma grotesca enquanto decisões mal tomadas fazem a população pagar mais caro ou ficar sem energia. Tudo vira espetáculo, tudo vira vídeo curto, tudo vira meme. Menos governo, menos responsabilidade, menos compromisso.
O problema é que esse teatro tem consequências reais. A mentira repetida cansa, confunde e anestesia. Ataques pessoais substituem o debate, e a banalização do absurdo abre espaço para que criminosos, protegidos por outros, para mim igualmente bandidos, sigam impunes, blindados pelo barulho digital.
Rede social não pode ser sinônimo de incompetência nem esconderijo de malfeitos. Precisa ser tratada como meio de propagação de coisas boas, de informação correta, de prestação de contas e de construção coletiva. O resto é enganação e, a conta, como sempre, sobra para a população.








