OUTROS ARTIGOS

Atlético x Cruzeiro: análise tática e projeção daqui por diante

O torcedor do Cruzeiro, hoje, segunda-feira (26), começa a pedir a cabeça do técnico Tite. Nã tiro a razão de quem o faz, principalmente pela forma como o Cruzeiro tem se portado em campo. Com uma soberba que há muito não se via, o time deixou o futebol acelerado e dinâmico de 2025 no ano passado, adotando um jeito esquisito e temerário em 2026. Exemplos disso são as cobranças de tiro de meta, com toquinho de zagueiro para goleiro – com chutão na sequência – ou chutão, em saída de bola, por ligação direta, de zagueiro/lateral para atacante. Esse nunca foi o futebol que consagrou o clube, que é conhecido e reconhecido por seu toque de bola envolvente e com categoria. Jardim deixou um legado e, nesse início de ano, mais vemos um time similar ao “dinizismo” do que ao futebol que encantou os torcedores no ano passado.

Diante do Atlético, uma prepotência enorme, principalmente depois de abrir o placar. Kaio Jorge ficar pilhando zagueiro dizendo “quem é você” não ajuda em nada. O mesmo vale para Fabrício Bruno, um zagueiro muito acima da média que fez uma partida bem abaixo, sendo um dos responsáveis pelo segundo gol do Atlético. Junto a isso, uma marcação ruim, distante, que deu espaços e permitiu lances que, no ano passado, eram difíceis de acontecer. Tite está, até aqui, destruindo um legado deixado. É bom ele parar com isso antes que tenha o mesmo destino do fatidico Diniz em 2025. Pior: quando foi anunciado, o discurso foi o mesmo: “treinador do tamanho do Cruzeiro”. No currículo pode ser, mas Tite precisa se atualizar.

Do outro lado, o Atlético, muito mais limitado e em reconstrução, pôs o jogo na ponta da chuteira. Não que está organizado. Deu espaços, viu em Everson uma parede em alguns momentos, e contou com a sorte em outros, como no lance de Arroyo. Mas muito mais determinado e jogou o que dava diante do que podia oferecer. Foi o suficiente. Mas ainda pouco para um Brasileirão próximo a começar. Precisa evoluir muito. Mas tendo o mesmo treinador do ano passado, isso já ajuda.

O Cruzeiro errou muito na saída de bola. Passes bestas, marcação frouxa, falta de ímpeto e espírito soberbo. Faltou alma, vontade, gana. Ninguém ganha de véspera. O Atlético, por sua vez, mostrou ter um lado esquerdo que pode render, com Lodi e Dudu. Na direita, no entanto, carece. Vitor Hugo foi uma grata surpresa. É um jogador que aparece na surpresa e pode ajudar muito ao ataque. Parece, ainda, que o time precisa melhorar a qualidade física. Mas isso deve melhorar com os jogos.

Tendo o lado esquerdo como força, encontraram nas costas de William, um local de aproveitamento, inclusive no primeiro gol. E, no erro de saída de bola do Cruzeiro – que estava pedindo para tomar gol -, fez o gol da vitória. Taticamente o Cruzeiro foibem abaixo. O Atletico não é um Uberlândia e isso que os jogadores precisam entender e abaixar a bola. Se jogar assim contra o Botafogo, na estreia no Brasileiro, perde. Já para o Atlético, se jogar como jogou contra o Cruzeiro diante do Palmeiras, perde também. Se doou, mas deu espaço demais. Ambos precisam melhorar seu posicionamento e mente. Mineiro é um campeonato que mais vale pela rivalidade. Já o Brasileiro é coisa séria.

 

Picture of João Vitor Viana

João Vitor Viana

João Vitor Viana é jornalista formado, advogado e pós-graduado em marketing

Veja todos os posts deste autor >

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *