Os contínuos lançamentos de mísseis pelo Irã contra Israel demonstram que Teerã mantém sua capacidade operacional, mesmo após a morte de diversos comandantes militares em ataques anteriores de Israel. A avaliação foi feita por um analista ouvido pela emissora americana CNN, que destacou a resiliência da cadeia de comando iraniana e a eficácia do arsenal balístico do país.
Segundo Trita Parsi, especialista em Oriente Médio e vice-presidente executivo do Quincy Institute, Israel acreditava ter conseguido desarticular a estrutura de comando e controle do Irã. No entanto, os ataques recentes obrigaram uma rápida reavaliação dessa percepção.
— O que estamos vendo agora é que os mísseis iranianos conseguem penetrar todas as camadas do sistema de defesa aérea israelense — afirmou Parsi no fim de semana.
Ao contrário dos foguetes de curto alcance utilizados por grupos militantes, os mísseis balísticos iranianos — como os modelos Shahab-3 e Zolfaghar — alcançam altas velocidades e seguem trajetórias elevadas, podendo inclusive ultrapassar os limites da atmosfera. Com alcances que vão de algumas centenas a milhares de quilômetros, e capacidade para transportar ogivas pesadas ou manobráveis, esses projéteis representam uma ameaça além da cobertura do sistema Domo de Ferro, projetado para interceptar foguetes de curto alcance.
Para se defender de ameaças mais sofisticadas, Israel opera uma arquitetura de defesa antimísseis em múltiplas camadas. Entre os principais sistemas estão o Arrow 2 e o Arrow 3, desenvolvidos em parceria com a Boeing, capazes de interceptar mísseis balísticos fora da atmosfera. O país também conta com o David’s Sling (Funda de Davi), voltado para ameaças de médio alcance, produzido em conjunto com a empresa americana Raytheon.
Apesar dessa estrutura, os ataques recentes revelaram fragilidades na rede defensiva israelense diante de ofensivas coordenadas com mísseis balísticos e possivelmente hipersônicos. O Irã investe há décadas no desenvolvimento de mísseis de longo alcance e vem avançando em programas nacionais de armamento hipersônico. Além dos mísseis balísticos, Teerã possui um vasto arsenal de foguetes de curto alcance.








