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Análise: Cruzeiro vence sem passar perrengue, em dia que Tite fez o que dele se espera: não inventar

Pela primeira vez no ano o Cruzeiro fez um jogo relativamente sólido. Obviamente com várias falhas, mas algo mais “natural”, considerando ser início de ano, de trabalho e preparo físico. Nos jogos anteriores, além disso, viu-se uma apatia absurda, erros grosseiros e derrotadas vexatórias. Contra o América, o time esteve mais ciente do que fazer, entrou mais bem postado e soube se impor em alguns momentos, o que determinou, inclusive, a vitória diante do Coelho.

Logo no primeiro lance, um vacilo do goleiro Gustavo possibilitou o Cruzeiro abrir o placar. Pênalti claro do arqueiro alviverde em Gerson, convertido por Kaio Jorge. O Cruzeiro manteve o controle do jogo, “soube sofrer” em alguns momentos. Em um deles, Fabrício Bruno fez uma intervenção que evitou um possível gol do América. Não à toa, a torcida vibrou como se fosse um gol.

Kaio Jorge voltou a ser decisivo ao ampliar, escorando cabeceio de Christian. O placar deixou o time mais tranquilo para ir em boa vantagem para o vestiário.

Um dos problemas celestes, nos jogos anteriores, foi justamente a postura que o time retornou do intervalo. Dessa vez, isso não aconteceu. O Cruzeiro não se desligou e conseguiu conter as principais investidas do América. Teve, ainda, chance de ampliar, mas não teve a perspicácia para concluir com êxito. Tite não inventou dessa vez, modificando atletas que precisavam sair – até já antevendo o jogo contra o Mirassol, pelo Brasileirão – e colocou jogadores que poderiam suprir as ausências, estando descansados e motivados. Única alteração que acredito que não tenha sido a correta foi a entrada de Wanderson no lugar de Christian, que saiu por uma pancada no rosto. Talvez, ali, a melhor opção tivesse sido Japa, que reúne as carcaterísticas mais próximas do meia titular. Contudo, com as demais alterações, o time se ajeitou e levou a vitória até o fim, com tranquilidade.

O time do Cruzeiro tem bom elenco, talentos individuais e precisa ser soberano quando joga, dentro e fora de casa, contra equipes da Série A e de outras divisões. Pela primeira vez no ano o que se viu não foi um primor de jogo, mas perceptível uma evolução e aplicação dos atletas. Não está tudo às mil maravilhas, lógico. Mas o torcedor respirou um pouco. Não por ser Campeonato Mineiro, que não vale nada, ao meu modo de ver. Mas pela postura, que mudou. Vamos ver se Tite consegue manter essa concentração e também conhecer o elenco que tem. Um dos problemas que parece é justamente o desconhecimento das características de cada atleta. Isso vem com o tempo e com diálogo. Mas o futebol não espera. Nem que Tite tire um, dois dias para ficar analisando e conversando com jogador, isso ele precisa ter na mente, na prancheta, no computador, no celular, onde for.

O Cruzeiro não pode passar perrengue, como estava nesses primeiros 30 dias de atividades. Com treino, tática, preparo e sem inventar, o Cruzeiro pode render bem mais. Não sei se igual rendeu com Jardim, que tirava leite de pedra. Mas muito mais que rendeu esse ano, inclusive contra o América. Que o Cruzeiro tenha virado a chave após a “colada” de Pedrinho na fatídica derrota para o Coritiba. Chega de vergonha! O Cruzeiro é gigante e merece se mostrar como tal.

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João Vitor Viana

João Vitor Viana é jornalista formado, advogado e pós-graduado em marketing

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