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“Com a boca no mundo”: “Fogo amigo” no bolsonarismo

Se Jair Bolsonaro ainda acredita que seus aliados são seu escudo, talvez seja hora de rever o conceito. Hoje, quem mais atrapalha o ex-presidente não são os ministros do Supremo, nem a Polícia Federal, mas o próprio círculo político que ele alimentou. A cada nova fuga, prisão ou condenação de um aliado direto pelos atos golpistas, Bolsonaro fica mais frágil, jurídica e politicamente. Zambelli, Ramagem, Eduardo Bolsonaro e Silvinei que o digam!

Enquanto ele tenta construir a narrativa de vítima, pedindo prisão domiciliar sob o argumento de saúde frágil, seus antigos parceiros tratam de implodir qualquer chance de compaixão institucional. Como convencer a Justiça de que merece tratamento especial quando figuras centrais do seu grupo tentam escapar do país com passaporte falso, dinheiro vivo ou planos de asilo político? A mensagem que chega aos tribunais é simples: há risco real de fuga, de obstrução e de desrespeito às decisões judiciais. E isso acaba sendo uma tônica de um mesmo grupo. Fora os que se declaram doentes, como General Heleno e o próprio Silvinei. Heleno foi para prisão domiciliar depois de uma perícia. Silvinei usou isso para não falar com autoridades internacionais. Deu tudo errado, numa fuga ridícula.

Entre uma cirurgia para corrigir soluços persistentes e outra para tratar dores recorrentes, sempre surge um novo escândalo no entorno bolsonarista. É quase um roteiro inimaginável: Bolsonaro tenta sensibilizar a opinião pública, e seus aliados correm para provar que ele continua cercado por gente disposta a desafiar a lei. Contudo, isso não surpreende: afinal, desafiavam em pleno mandato. Agora só confirmam.

No fim das contas, o bolsonarismo virou uma máquina de autossabotagem. Cada aliado que foge ou é condenado pelo 8 de janeiro coloca mais um tijolo no muro que separa Bolsonaro de qualquer benefício jurídico. Se existe algo capaz de enterrar de vez um pedido de prisão domiciliar, não é a oposição, mas o “fogo amigo” que arde dentro do próprio campo bolsonarista, que parece sem o menor roteiro ou coordenação.

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