A tragédia provocada pelas chuvas na Zona da Mata mineira atingiu proporções graves, com o número de vítimas fatais já ultrapassando 50 mortes em Juiz de Fora e Ubá nesta quinta-feira (26). Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, foram confirmados 47 óbitos em Juiz de Fora e seis em Ubá, totalizando 53 mortes, além de cerca de 15 pessoas ainda desaparecidas nas duas cidades.
As equipes de resgate trabalham 24 horas por dia em oito frentes, a maioria em Juiz de Fora, nas buscas por vítimas soterradas e desaparecidas. A situação continua crítica, com alerta máximo emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) devido à previsão de chuvas fortes pelo menos até o fim desta sexta-feira (27). Dois avisos permanecem ativos — um de acumulado vermelho, com risco de até 100 mm de chuva por dia, e outro de chuva intensa, com volumes entre 30 mm/h e 100 mm/h e ventos fortes.
A madrugada foi de grande tensão na cidade de Juiz de Fora, onde moradores relataram dificuldade para dormir por causa do volume de água e dos pontos de alagamento registrados. A Defesa Civil precisou interditar casas em áreas de risco e evacuou famílias em bairros como Graminha, Jardim Natal e outros setores da Zona Norte.
Os efeitos da chuva histórica também têm sido sentidos nas vias urbanas: o Rio Paraibuna saiu da calha em vários pontos, invadindo avenidas como a Rio Branco e importantes cruzamentos da cidade.
Em Ubá, cerca de 100 km de Juiz de Fora, o impacto foi igualmente severo. A prefeitura registrou aproximadamente 170 mm de chuva em cerca de três horas, levando o rio local a subir até 7,82 m, com alagamentos extensos por bairros e áreas urbanas. Imagens que circulam mostram cenas impressionantes de caixões sendo levados pela enxurrada, carros arrastados e o resgate de idosos em abrigos, evidenciando a dimensão do desastre.
O município vizinho de Matias Barbosa, com cerca de 14 mil habitantes, também decretou estado de calamidade pública — com escolas e serviços de saúde suspensos — após a cidade ficar completamente alagada e isolada, levando prejuízos expressivos ao comércio local.
Segundo meteorologistas, a tragédia é resultado da combinação de uma massa de ar muito úmida, a passagem de uma frente fria e temperaturas acima da média no oceano, fatores que aumentam a instabilidade atmosférica e favorecem eventos extremos de chuva.








