O maior iceberg do mundo atualmente registrado, denominado A-23A, está prestes a colapsar enquanto deriva nas águas do Oceano Atlântico Sul, entre o leste da América do Sul e as ilhas Geórgia do Sul, segundo imagens e dados captados por satélites da NASA.
Esse gigantesco bloco de gelo se separou da geleira Filchner-Ronne, na Antártica, em 1986, e ao longo dos últimos 40 anos passou por uma longa jornada oceânica — ficou preso por décadas no mar raso da região de Weddell antes de finalmente ser arrastado pelas correntes para águas mais profundas e abertas.
Há décadas observado por pesquisadores, o A-23A já perdeu grande parte de sua massa. Quando se desprendeu do continente antártico tinha cerca de 4 mil km², dimensão superior ao dobro da área da cidade de São Paulo. À medida que se deslocava, o iceberg foi derretendo gradualmente e fragmentando-se, chegando agora a aproximadamente 1.180 km² — uma área semelhante à da cidade do Rio de Janeiro.
As imagens mais recentes, registradas entre 26 e 27 de dezembro de 2025, mostram a superfície do iceberg coberta por poças de água derretida de coloração azul, um sinal claro de que ele está absorvendo calor e perdendo estrutura por dentro. A presença dessas grandes áreas de meltwater indica que o A-23A está praticamente no fim de sua vida como iceberg intacto e pode se fragmentar completamente em dias ou semanas.
Esse processo de colapso é observado com grande interesse científico: não apenas porque marca o fim de um dos maiores blocos de gelo já acompanhados por satélite, mas também porque fornece dados valiosos sobre o comportamento de icebergs em águas mais quentes — algo que tem implicações diretas para os estudos sobre mudanças climáticas e o derretimento das calotas polares.








