O Oriente Médio vive seu momento mais tenso em décadas com a intensificação dos ataques mútuos entre Israel e Irã, que nesta segunda-feira (16/06) completarão 72 horas de confrontos diretos ininterruptos. O epicentro da crise se deslocou de Gaza para uma guerra aberta entre duas potências regionais com capacidade nuclear, elevando o temor de um conflito regional sem precedentes.
Ataques Cruzados e Baixas Civis
Na madrugada de domingo (15/06), o Irã lançou a “Operação Promessa Honesta 3”, disparando mísseis contra alvos civis e militares em Israel, incluindo Tel Aviv e Jerusalém. As defesas aéreas israelenses interceptaram parte dos projéteis, mas um ataque em Petah Tikva (próximo a Tel Aviv) matou dois civis que estavam em um “quarto seguro” — espaços reforçados presentes em todos os lares israelenses. Foi a primeira vez que esses refúgios falharam contra mísseis iranianos.
Horas antes, a Força Aérea Israelense atingira alvos estratégicos no Irã, incluindo:
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Depósitos de combustível em Teerã, essenciais para a logística militar;
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Sede do Ministério da Defesa iraniano, parcialmente destruída;
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Instalações nucleares não declaradas, segundo fontes do governo israelense.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que os ataques “decapitaram” parte da cúpula militar iraniana, incluindo o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, e o comandante das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, mortos em bombardeios na sexta-feira (13/06).
Crise Humanitária e Reações Internacionais
Enquanto os dois países trocam acusações, a população civil paga o preço mais alto:
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Israel: Além das mortes em Petah Tikva, 14 feridos foram registrados na Galileia, incluindo um em estado grave. O serviço de emergência Magen David Adom relatou que 38 de seus profissionais morreram desde o início da guerra em outubro de 2023.
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Irã: Ataques israelenses mataram cinco membros da Guarda Revolucionária e um chefe de polícia no sábado (14/06). Danos a infraestrutura crítica deixaram regiões sem energia e combustível.
A ONU reforçou seu apelo pela solução de dois Estados, alertando que a escalada atual “risca de vez a possibilidade de paz” na região. A coordenadora para o Processo de Paz no Oriente Médio, Sigrid Kaag, criticou tanto os ataques do Hamas quanto a “destruição arrasadora” promovida por Israel em Gaza, onde mais de 50 mil crianças foram mortas ou feridas desde outubro de 2023.
O Jogo Geopolítico por Trás dos Ataques
Analistas apontam que o conflito atual é resultado de anos de guerra por procuração entre Israel e Irã, que até 2024 evitavam confrontos diretos. O Irã financia grupos como Hezbollah (Líbano), Houthis (Iêmen) e Hamas (Gaza), enquanto Israel mira bases iranianas na Síria e cientistas nucleares.
A crise se agravou em abril de 2024, quando Israel bombardeou a embaixada iraniana em Damasco, matando comandantes da Guarda Revolucionária. O Irã respondeu com seu primeiro ataque direto a Israel em décadas, lançando 300 mísseis — a maioria interceptada.
O Que Esperar?
Com o espaço aéreo israelense fechado pelo terceiro dia consecutivo e o Irã ameaçando uma “resposta mais dura”, a comunidade internacional tenta frear a escalada:
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EUA: O presidente Donald Trump afirmou ter concordado com o russo Vladimir Putin sobre a necessidade de “encerrar a guerra”.
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França e Arábia Saudita organizarão uma cúpula em junho para mediar a crise.
Enquanto isso, civis de ambos os lados enfrentam uma realidade sombria. Em Israel, famílias passam noites em abrigos; no Irã, filas se formam em postos de gasolina após ataques a depósitos de combustível. Para especialistas, o risco de uma guerra nuclear — ainda que remoto — nunca esteve tão próximo.








