A família de José Orton Sathler, 55, pede por Justiça, após o corpo dele ser cremado por engano no cemitério Bosque da Esperança, no bairro Jaqueline, na região Norte de Belo Horizonte. O erro foi descoberto na última sexta-feira (30/5).
Segundo Josiane Sathler, filha de José, o pai morreu em abril de 2021 durante a pandemia de Covid-19 e o corpo chegou a ficar em um jazigo provisório, sendo um plano escolhido pela família. No caso, Josiane contou que, após três anos do sepultamento, era preciso retirar a ossada do caixão, e foi aí que a família descobriu que o corpo de uma mulher foi colocado na urna do seu pai.
“Sepultamos o meu pai em 10 minutos, tivemos a despedida, realmente ele estava no caixão, a gente viu ele pelo vidro. Porém, na última sexta, na segunda tentativa de exumação, a gente viu o erro. O corpo que está na gaveta onde o meu pai deveria estar, hoje se encontra um corpo de uma mulher”, explicou ela.
Josiane contou também que a família só descobriu a troca dos corpos após os ossos da mulher conterem uma platina no fêmur, algo que o pai dela não possuía. E que a primeira exumação era para ter ocorrido em 2023, mas que a família foi informada de que a decomposição do corpo de José não havia acontecido completamente.
“Ou seja, ano passado, quando solicitamos a primeira exumação, o meu pai já tinha sido exumado. Só que, como estava em gavetas trocadas, ele foi cremado e as cinzas foram dispersadas ao vento”, completou Josiane, que disse que a história do pai se encerrou da forma mais trágica possível.
“Uma vez constatado o erro, os colaboradores cuja conduta contrariou os protocolos operacionais estabelecidos foram identificados e imediatamente desligados da empresa. Expressamos nossas mais sinceras desculpas à família afetada e nos colocamos à disposição para todos os esclarecimentos adicionais, com o devido respeito, transparência e responsabilidade — e, sobretudo, com a dignidade que as famílias que confiam em nossos serviços merecem”, diz um trecho da nota.
Por meio de nota, o Cemitério Bosque da Esperança assumiu o erro, informou que os funcionários responsáveis foram demitidos e que lamenta o caso.
Ainda de acordo com Josiane, o sonho da mãe era poder realizar uma segunda despedida ao marido, já que no mesmo ano em que José morreu, ela estava internada também com Covid-19 e não participou da despedida.
“O sonho da minha mãe era a gente trazer os restos do meu pai, ele virou poeira no ar. Em 2021, a minha mãe também estava internada de Covid e não pôde acompanhar isso. Foram 48 anos casados juntos, unidos, e eles foram separados pela pandemia, pela doença, e ela não pôde se despedir dele”, lamenta.
Conforme a filha de José, a família registrou o Boletim de Ocorrência (BO). Por meio de nota, a Polícia Civil (PC) informou que o caso não será investigado, “uma vez que não houve configuração de conduta penal”. O órgão esclarece ainda que “o crime de vilipêndio a cadáver exige, necessariamente, conduta dolosa, ou seja, a vontade deliberada de desrespeitar os mortos. No caso em questão, conforme relatos, não houve dolo, tratando-se de um erro, o que afasta a possibilidade de responsabilização na esfera penal”.








