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Entre o céu da Sul-Americana e o chão do Brasileirão

O Atlético vive um momento de euforia merecida. A classificação para a final da Sul-Americana recoloca o clube em destaque continental e reaquece o orgulho da torcida, que voltou a cantar alto o “Eu acredito” que marcou as grandes viradas da história recente do Galo. A vitória foi convincente, de time cascudo, consciente e com alma. A equipe soube sofrer, teve controle emocional e mostrou a maturidade que faltou em outros momentos da temporada.

Mas, passada a festa e o eco dos rojões, é hora de pisar no freio da empolgação. O título continental pode estar a um passo – é um jogo apenas, que será disputado no Paraguai – mas ainda falta um adversário e, principalmente, garantir o básico: o lugar no Brasileirão do ano que vem sem sustos. O torcedor pode até sonhar alto, mas o elenco e a comissão técnica não podem tirar os pés do chão. O campeonato nacional é traiçoeiro, e qualquer descuido pode transformar a euforia de agora em drama no fim da temporada.

É preciso entender que o Atlético ainda não está matematicamente livre, ainda que tenha dado um bom salto ao vencer o Ceará. O foco não pode se perder em meio ao glamour da decisão internacional. Afinal, de nada adiantaria levantar a taça da Sul-Americana e ver o time se complicar na Série A. O torcedor quer os dois, e o clube tem elenco para isso. Basta gestão, concentração e menos dispersão.

A final da Sul-Americana pode coroar um ano irregular com brilho de campeão. Mas o maior desafio do Galo é provar que pode ser competitivo em todas as frentes. Que o grito da Massa sirva não só de comemoração, mas também de lembrete: o Atlético é grande demais para viver de lampejos. O dever agora é garantir o amanhã, antes de sonhar com o eterno.

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João Vitor Viana

João Vitor Viana é jornalista formado, advogado e pós-graduado em marketing

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