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E3 se reúne com chanceler iraniano em Genebra para tentar saída diplomática à crise com Israel e discutir programa nuclear

Os ministros das Relações Exteriores do Reino Unido, França e Alemanha — o grupo conhecido como E3 — encontram‑se nesta sexta‑feira (20) em Genebra com o chanceler iraniano Abbas Araqchi. A iniciativa partiu de Teerã e tem dois focos centrais: conter a escalada do conflito entre Irã e Israel e retomar o diálogo sobre o programa nuclear iraniano.

Genebra foi palco, em 2013, do primeiro acordo que limitou as atividades nucleares do Irã em troca da suspensão de sanções — pacto firmado pelo então presidente dos EUA, Barack Obama, e abandonado por Donald Trump em 2018. A nova rodada de negociações ocorre após o colapso do diálogo Teerã‑Washington, precipitado pelos bombardeios israelenses de 12 de junho.

“Os iranianos não falam diretamente com os americanos, mas nós podemos”, afirmou um diplomata europeu. “Diremos que voltem à mesa nuclear antes que o cenário piore, e também cobraremos sobre mísseis balísticos, apoio à Rússia e a prisão de nossos cidadãos.”

Participantes europeus confirmados

  • Johann Wadephul, ministro das Relações Exteriores da Alemanha

  • Jean‑Noël Barrot, ministro dos Negócios Estrangeiros da França

  • David Lammy, secretário das Relações Exteriores do Reino Unido

  • Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia

Diplomatas admitem que não esperam grandes avanços, mas consideram essencial manter o canal aberto: mesmo que a guerra cesse, o conhecimento técnico já adquirido pelo Irã permite reconstruir seu programa nuclear de forma sigilosa.

Pressão internacional crescente

Na semana anterior aos ataques israelenses, o E3 e os EUA patrocinaram resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que acusou o Irã de violar o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Caso não haja progresso, europeus sinalizam levar a questão ao Conselho de Segurança da ONU ainda neste verão boreal. Paralelamente, estudam acionar até o fim de agosto o mecanismo de snapback, que restabeleceria automaticamente sanções da ONU — possibilidade que Teerã classifica como tendo “consequências graves”.

Um funcionário iraniano reiterou que o país “prefere a diplomacia”, mas pediu que o E3 “use todos os meios” para frear ataques de Israel.

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