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Barroso deixa o STF com mais de 900 processos pendentes e diz sair “de alma leve”

Após 12 anos no Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Roberto Barroso se despediu oficialmente da Corte neste sábado (18). Aos 67 anos, ele antecipa sua aposentadoria – poderia permanecer até os 75 – e encerra sua passagem pelo tribunal deixando um acervo de mais de 900 processos que serão assumidos por seu sucessor.

Barroso anunciou sua saída no dia 9 e afirmou que deixa o Supremo com a “alma leve” e com a sensação de missão cumprida. “É hora de seguir outros rumos, que nem sei se estão definidos. Não tenho apego ao poder e gostaria de viver intensamente o tempo que me resta, longe das obrigações e cobranças públicas do cargo”, declarou em coletiva de imprensa.

A decisão veio poucas semanas após ele encerrar seu mandato como presidente do STF e ser alvo de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos. Questionado, Barroso negou qualquer relação entre as sanções e sua aposentadoria.

Em seu último dia de atuação, na sexta-feira (18), ele registrou voto no julgamento sobre a descriminalização do aborto no país, em uma espécie de ato final como ministro. Barroso defendeu que a interrupção da gestação até a 12ª semana não seja tratada como crime, argumentando que a criminalização não reduz o número de procedimentos e aprofunda desigualdades, atingindo especialmente mulheres pobres. O voto foi incluído no plenário virtual e permanecerá válido mesmo em caso de nova suspensão do julgamento.

Relatorias em aberto

Com a saída de Barroso, caberá ao próximo indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumir mais de 900 processos que estavam sob sua relatoria. No STF, o relator é responsável por conduzir as ações, reunir informações, elaborar relatórios e apresentar os casos aos demais ministros, papel que agora passa a uma nova gestão.

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