O Agosto Lilás em Contagem ganhou um marco especial com o “Aciso Lilás”, ação que reuniu instituições públicas e sociedade civil em um esforço conjunto contra a violência doméstica. Para a secretária de Mulher e Juventude, Camila Marques, a iniciativa vai muito além de um evento.
“É a materialização da nossa Rede de Proteção às Mulheres. Reunimos diferentes atores para mostrar que a violência não pode permanecer escondida. Trazer essa pauta para as ruas dá visibilidade a um problema que, muitas vezes, é silenciado dentro de casa”, destacou.
O coronel Erlando Ferreira da Silva, comandante da 2ª Região de Polícia Militar, reforçou que a violência contra a mulher é um desafio coletivo. “Em cada ocorrência, encontramos histórias que ficaram ocultas por anos. A PM sozinha não consegue dar uma resposta completa. É preciso o trabalho integrado com outras instituições, para garantir um atendimento humanizado desde o primeiro momento”. Para ele, incluir o Aciso Lilás no calendário oficial do município é fundamental para manter e ampliar esse esforço.
A proposta nasceu da major Bruna, comandante da 2ª Companhia Independente de Prevenção à Violência Doméstica. Ela lembra que a maioria das agressões acontece dentro dos lares e que muitas mulheres permanecem presas ao ciclo de violência por medo, dependência financeira ou emocional.
“Enfrentar esse cenário exige mais que repressão: precisamos de prevenção, acolhimento e políticas públicas permanentes. Só a mobilização coletiva pode resgatar a vida e a dignidade dessas mulheres”, afirmou.
Entre os momentos mais marcantes do evento, esteve o depoimento de Jennifer de Oliveira, sobrevivente da violência doméstica. Em fevereiro, ao ser ameaçada de morte pelo companheiro dentro de casa, ela tomou uma decisão extrema: saltou da janela do segundo andar para salvar a própria vida.
“Foram nove anos de violência. No dia 12 de fevereiro, diante de uma faca, eu tive duas chances de morrer e apenas uma de viver. Escolhi viver”, contou. Após meses em recuperação, Jennifer voltou de forma resiliente à rotina e hoje se tornou símbolo de resistência.
“Recebi apoio das instituições e consegui recomeçar. Ainda luto diariamente, mas superei a morte. Eventos como esse mostram que existe uma rede de apoio e que mulheres podem – e devem – apoiar outras mulheres. Unidas, somos mais fortes”.
O Aciso Lilás, mais que um evento, se consolidou como ato de coragem coletiva: um chamado para quebrar o silêncio, encorajar denúncias, fortalecer a rede de proteção e, acima de tudo, devolver às mulheres não só a dignidade, mas também o direito de sorrir.








