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A pancreatite continua! Não dá para continuar dando murro em ponta de faca!

Pode não ser o único, mas é o problema central do Cruzeiro: comando. A saída de Leonardo Jardim foi a pior coisa que poderia ter acontecido ao Cruzeiro em 2026, que se reestruturou, investiu, e reformou a Toca da Raposa II, revitalizou a base, com a revelação de jogadores. A troca dele – que não quis continuar por questões pessoais – por Tite, foi mexer no que estava certo para apostar em alguém que estacionou no passado. A apatia do treinador à beira do campo misturado às alterações absurdas que faz, em tempos errados, só mostra que a diretoria está mais perdida que cego em tiroteio. Diante do Coritiba, um time fadado ao rebaixamento – ou que, ao menos, vai figurar, seguramente, na segunda parte da tabela – mais uma exibição horrível, mais uma derrota, mais um dia de justificativas imbecis pós-jogo. Por mais que Pedro Lourenço e outros membros da diretoria tenham “quebrado o pau” no vestiário, isso não vai mudar algo que está escrito não é nem nas estrelas, é na cara. A lógica manda Tite deixar o comando do clube. Alás, não deveria sequer ser contratado. É um técnico ultrapassado, que é cabide de emprego para o seu filho, outro ruim de serviço e que é muito caro para um projeto, que deveria ser ousado. A preguiça de não pagar a multa de Arthur Jorge, trazer Jorge Jesus ou outro treinador de verdade. Tite, hoje, é a mostra do que não se fazer. O ano sabático dele não serviu para aprender o beabá do futebol moderno. A preguiça, a falta de tática e a ineficiência reflete nas arquibancadas. 15 mil herois foram presenciar mais um capítulo obscuro de um momento muito mal dirigido, mal treinado, mal gerido.

Tite já começou mal, escalando William na lateral. William já teve seu momento no clube. Passou. Não marca ninguém, é mais um ala que lateral. Nas suas costas surgem várias – não poucas – jogadas de gol do adversário. O melhor lateral do clube é Kauã Morais, que Tite insiste que é o terceiro na regra de sucessão. Um jogador mal posicionado expõe toda a defesa, principalmente porque Christian, o atleta que tem que jogar pelo lado direito, foi erroneamente deslocado para a esquerda, pela “esperteza” do técnico. Mexeu no que estava dando certo. Parece piada e, se for, de muito mal gosto.

No meio, Gerson tem que jogar. Afinal, custou 27 milhões de euros, valor que poderia ter sido investido contratando um atacante de verdade – não um Chico da Costa -, um primeiro volante, um zagueiro e um meia-atacante para ser opção para Matheus Pereira. Mas preferiram ir na onda de Tite e Spindel para trazer o “Coringa”. Agora tem que arrumar um lugar para ele jogar. Reprise do ano passado, quando trouxeram um pseudotreinador, chamado Fernando Diniz, e medalhões, que merecidamente Jardim pôs o banco. Tempos depois, um deles deu piti e acabou sendo dispensado. No Cruzeiro, agora, um Diniz com grife stá no comando, fazendo as mais diversas barbeiragens e dando entrevistas sonolentas ao final. Feliz aquele que ainda tem paciência.

Contra o Coxa, um time sem tática nenhuma, um amontoado de jogador que parece que se conheceram ontem, após tomarem todas num boteco de quinta categoria, que não faz uma jogada a não ser bolinha na área. Cruza 800.000 bolas para ninguém. Mas não sabe – ou não é treinado – fazer o básico: marcação, aproximação das linhas, transição, passes curtos e em profundidade, tabelas e finalizações a partir de poucos toques. Tudo que Jardim conseguiu fazer após pegar um time todo torto deixado por Diniz. Já Tite, que pegou time organizado, mostra que não tem a menor competênca para estar ali. Ele e seu filho podem ir hoje mesmo para Confins. A torcida do Cruzeiro agradece. E levem esse preparador físico também. O Cruzeiro não aguenta dois tempos, mesmo não sendo intenso.

A dura no vestiário, após derrota vexatória para o Coritiba pr 2 a 1, vale até o jogo contra o América. Não acredito que, em caso de mais um fracasso, Tite fique. Deveria ter sido demitido ontem. Se pudesse, nem ter sido contratado. Atrapalhou todo o planejamento e já causa enorme prejuízo ao clube.

Tite não combina com Minas. Rebaixou o Atlético em 2005. 21 anos depois, parece querer fazer o mesmo no Cruzeiro. Não vai. A torcida não deixa. Por mais que o clube seja do Pedro Lourenço, sem a torcida o Cruzeiro não é o mesmo. É grande pela sua história, pelos seus títulos e por sua torcida, que dá show por onde o time vai. Mas sozinha ela faz papel de boba. E esse papel a torcida nunca aceitou nem aceitará. Que paguem a multa do Arthur Jorge, que tentem trazer o Jorge Jesus, Sérgio Conceição ou algum que seja de verdade. Sei que o nome que vai surgir é do Renato Gaúcho. Talvez até valha o teste pela urgência. Mas não seria, ao meu ver, o ideal. O mais certo é, primeiro, tirar esse Tite. A pancreatite chegou num patamar que não dá mais para remediar. É caso cirúrgico! Tchau!

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João Vitor Viana

João Vitor Viana é jornalista formado, advogado e pós-graduado em marketing

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