Pois não é que, em plena madrugada, aquele horário nobre da malandragem institucional, a Câmara resolveu dar um “chega mais” para ninguém menos que Carla Zambelli? Sim, ela mesma: condenada, presa na Itália e ainda assim tratada como convidada VIP na casa que deveria representar o povo brasileiro. Na surdina, o Legislativo tentou manter o mandato da moça, como se fosse apenas um detalhe ter uma ficha que faria corar até celebridade envolvida em escândalo de tabloide.
Mas eis que entra em cena Alexandre de Moraes, o protagonista da noite, interrompendo o baile clandestino. Com a elegância de quem sabe exatamente o peso da caneta que carrega, tornou nula a sessão-relâmpago. Moraes lembrou o óbvio: cassação é atribuição do Judiciário; ao Legislativo, cabe apenas declarar. Nada de transformar plenário em cabaré jurídico.
E aí fica a dúvida que circulou entre os drinques e cochichos: o que exatamente queria o Legislativo ao proteger o mandato de alguém já condenada? É essa a nova moda da Casa – virar uma espécie de “República da Mãe Joana”, onde regras são acessórios descartáveis e o cidadão que lute? Porque, convenhamos, não há nada de sensato em manter entre parlamentares alguém que já ultrapassou todas as linhas do razoável. E isso vale para muitos outros, que lá estão, e outros, que já fugiram do país. Não, não estou tomando partido, embora todos acabem pertencendo a uma mesma ala e partido.
Deveria ser simples: transitou em julgado, adeus. Sem chororô, sem tapinha nas costas, sem sessão secreta às duas da manhã. Perca-se o mandato, percam-se os direitos políticos. E, se fosse por mim, casos assim viriam com selo de banimento do serviço público eletivo. Quer estabilidade? Preste concurso. Quer fazer política? Respeite a lei antes.
No mais, parabéns ao ministro Alexandre de Moraes, que nesta novela mostrou quem ainda é possível levar o roteiro democrático a sério. Enquanto isso, o Legislativo segue no seu papel de figurante desajeitado, aquele que insiste em aparecer, mesmo quando não tem fala.
Para 2026, quem quer o bem do Brasil precisa anotar o nomezinho dos que lá estão hoje e o que andam tramando…
A minha listinha está feita, refeita e checada. Outubro será de fazer justiça, tirando do poder quem não merece.
Ah, e para quem ainda não soube, já há maioria no STF para manter a decisão de Moraes.
Coerentes.








