Apesar das reduções registradas no valor da gasolina vendida pelas refinarias nos últimos anos, o consumidor brasileiro continua sentindo o peso do combustível mais caro nas bombas. Levantamentos sobre a evolução dos preços mostram que, enquanto o custo na origem apresentou queda significativa desde 2022, o valor final pago pelos motoristas segue em trajetória oposta, acumulando altas sucessivas.
Dados históricos indicam que o preço médio da gasolina nas refinarias caiu mais de 20% desde o pico registrado no início da década, acompanhando mudanças na política de preços e momentos de alívio no mercado internacional do petróleo. No entanto, essa redução não foi integralmente repassada ao consumidor final, evidenciando um descompasso entre a origem do combustível e o valor cobrado nos postos.
Especialistas apontam que a diferença está relacionada a uma combinação de fatores. Entre eles, destacam-se o aumento da carga tributária, especialmente do ICMS, os custos de distribuição e logística, além das margens praticadas por distribuidoras e postos revendedores. O modelo de cobrança do imposto estadual, com valor fixo por litro, tem impacto direto e imediato no preço final, independentemente de quedas anteriores na refinaria.
Outro fator que contribui para a alta nas bombas é a recomposição de margens ao longo da cadeia de comercialização. Em períodos de instabilidade, agentes do setor tendem a repassar custos com mais rapidez do que reduções, o que acaba prolongando os efeitos do combustível caro para o consumidor.
Com isso, mesmo diante de um cenário em que o preço de saída da gasolina nas refinarias está em patamares mais baixos do que anos atrás, o motorista segue pagando mais caro para abastecer. A situação reacende o debate sobre transparência na formação de preços e sobre a necessidade de mecanismos que garantam que reduções na origem cheguem, de fato, ao bolso da população.








