O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta quinta-feira (24), às 22h, rumo a Roma para participar do funeral do papa Francisco, falecido recentemente. A comitiva oficial brasileira será composta por líderes dos três Poderes, refletindo um gesto diplomático e político significativo por parte do governo.
Diferente do que ocorreu em 2005, quando Lula convidou ex-presidentes para o velório de João Paulo II, desta vez os convites foram direcionados ao presidente da Câmara, Hugo Motta; ao senador Davi Alcolumbre, representando o Senado; e ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Roberto Barroso. A primeira-dama Janja Lula da Silva também acompanhará a delegação.
O Palácio do Planalto confirmou a presença dos três convidados, mas não informou se outras autoridades participarão. A formação da comitiva reforça a importância simbólica do evento, tanto no campo religioso quanto político.
Francisco, que será velado na Basílica de São Pedro no sábado (26), teve papel relevante no cenário internacional. O corpo do pontífice será trasladado da Casa de Santa Marta para a basílica no dia 23, onde fiéis e autoridades poderão se despedir do primeiro papa vindo das Américas.
A presença brasileira reflete não apenas o respeito institucional, mas também o impacto que o pontífice teve sobre a sociedade. Sua postura crítica frente a guerras e desigualdades, e seu apelo por justiça social e ambiental, marcaram seu pontificado como uma liderança com influência além da Igreja.
Especialistas observam que a mobilização em torno do funeral também tem motivações políticas. Segundo o professor Robson Sávio Reis Souza, da PUC Minas, a ida de autoridades ao velório é uma sinalização ao eleitorado católico, ainda majoritário no Brasil. Ele também destaca que Francisco conquistou simpatia de grupos evangélicos progressistas e até de pessoas sem filiação religiosa.
Flávio Sofiati, sociólogo da Universidade Federal de Goiás, avalia que o impacto de Francisco foi mais expressivo fora da Igreja que dentro dela. Embora não tenha revertido a perda de fiéis católicos, sua voz ativa em temas sensíveis, como a guerra no Oriente Médio e a crise climática, influenciou fortemente o debate global.
Com o fim do papado, os olhares agora se voltam ao conclave que elegerá seu sucessor. A tradição e os rituais simbólicos do processo, como a fumaça branca, ainda fascinam o público. No entanto, analistas apontam que a escolha deverá recair sobre um nome mais conservador, distante do perfil inovador de Francisco.
Sofiati observa que cardeais europeus, que ainda dominam o colégio eleitoral, estão pouco conectados com as demandas das bases católicas da América Latina. Há rumores de que os italianos desejam retomar o comando da Igreja, e de que setores ligados à direita norte-americana, incluindo o ex-presidente Donald Trump, buscam influenciar a escolha do próximo papa.








