OUTROS ARTIGOS

“Com a boca no mundo”: os reflexos da prisão de Daniel Vorcaro

A prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal caiu como uma bomba no circuito social e esportivo de Belo Horizonte. Não é qualquer nome: trata-se de um sócio do Atlético-MG, alguém que circulava com desenvoltura nos bastidores do clube e do futebol mineiro. Até porque, não há muito tempo, colocou cerca de R$ 300 milhões nos cofres do clube. E isso vai causar enorme desconforto interno, ainda mais explodindo às vésperas de um momento decisivo para o Galo, quando o ambiente deveria estar blindado e a pauta ser exclusivamente esportiva.

Há quem tente minimizar, fazer de conta que nada está acontecendo, como se a PF tivesse batido à porta de um ilustre desconhecido. Mas os corredores da Cidade do Galo não são feitos de paredes tão grossas assim. O impacto, mesmo que indireto, é inevitável. Não pelo clube ter culpa – e não tem, à priori -, mas porque todo nome que orbita em torno do futebol carrega consigo reflexos públicos. Há algum tempo o nome de Vorcaro já era apontado como um elo, inclusive, envolvendo organizações criminosas, o que está sendo, inclusive, apurado. Contudo, sendo ele dono de um percentual grande no Atlético, isso pode ocasionar problemas imensos e, inclusive, financeiros, com possível congelamento de ativos do clube.

O que importa agora é ir a fundo, sem espuma, sem torcida organizada de microfone. Se houver ilícitos, que Vorcaro responda por eles. E, sobretudo, que aqueles que aplaudiam sua proximidade – alguns até demais, inclusive da imprensa – também enfrentem as consequências desse alinhamento. Nada disso, claro, será imediato. Investigações não obedecem ao relógio do campeonato.

Mas o que antes era só sussurro de bastidor, muitas vezes ignorado por parte da imprensa – sabe-se lá por qual zelo seletivo, mas deixa-se subentendido -, começa a ganhar forma. Aos poucos, as peças parecem se posicionar e as verdades se revelam. O tempo dirá o quanto ainda há por vir. Mas a festa social em torno desse nome, definitivamente, acabou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *