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O futebol que perdeu a graça

O futebol brasileiro, esse espetáculo que já foi paixão e poesia, está ficando insuportável. O jogo virou um festival de reclamações, chororôs e debates estéreis sobre arbitragem. Dentro e fora de campo, parece que ninguém mais quer ver bola rolando. Só polêmica. O árbitro virou protagonista, o VAR é o coadjuvante mais falastrão e a CBF segue de camarote, fingindo que administra o caos.

Os juízes, mal treinados e inseguros, apitam com medo, erram com frequência e somem na rodada seguinte. Alguns são “suspensos”, outros “afastados”, mas tudo é jogo de cena: na semana seguinte, estão de volta, como se nada tivesse acontecido. O VAR, que veio para “acertar”, virou uma piada institucionalizada, com demora, confusão, linhas tortas, decisões inexplicáveis. É a tecnologia servindo ao erro, não à justiça.

Mas não dá para jogar tudo nas costas da arbitragem. Os jogadores também são um capítulo à parte: chatos, mimados e cênicos, transformaram o campo num palco de reclamações e simulações. Os treinadores, por sua vez, parecem mais preocupados em reclamar da arbitragem do que em fazer o time jogar bola. É sempre culpa do juiz, do VAR, do gramado, do calendário, de tudo, menos deles.

E a imprensa? Bairrista, parcial, incapaz de um debate honesto. Cada um defende o seu estado, o seu clube, o seu “contato”. Enquanto isso, os torcedores seguem o mesmo roteiro: exigem arbitragem perfeita, mas só quando não prejudica o próprio time. Quando é a favor, chamam de “compensação”.

Nesse cenário patético, ainda há quem fale em “hexa”, em “renascimento do futebol brasileiro”. Difícil. Com tanto amadorismo, vaidade e hipocrisia, o futebol virou um produto burocrático, sem emoção e sem alma. O Brasil pode até sonhar com o hexa, mas é melhor esperar sentado. Porque, do jeito que está, o futebol brasileiro não inspira, não emociona. Ele cansa.

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João Vitor Viana

João Vitor Viana é jornalista formado, advogado e pós-graduado em marketing

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