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Dez anos de Mariana: o legado da maior tragédia ambiental do Brasil

Há exatos dez anos, o rompimento da barragem de Fundão, da Samarco — controlada pela Vale e pela BHP Billiton —, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG), marcou o país. No dia 5 de novembro de 2015, mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério desceram descontroladamente pela bacia do Rio Doce, deixando 19 mortos e devastando comunidades inteiras até o litoral do Espírito Santo.

A lama percorreu cerca de 600 quilômetros, contaminou rios, matou toneladas de peixes e afetou mais de 300 mil pessoas em Minas Gerais. Bento Rodrigues foi arrasado, e a reconstrução só começou anos depois. Mesmo assim, o sentimento de pertencimento e a vida comunitária nunca mais foram os mesmos.

Em 2024, a Justiça Federal absolveu todos os réus — executivos, engenheiros e as mineradoras —, alegando falta de provas de responsabilidade direta. O Ministério Público recorreu, e as vítimas ainda aguardam punição e reparação efetiva.

Criada em 2016 para coordenar indenizações e reconstruções, a Fundação Renova é alvo constante de críticas por lentidão e insensibilidade com os atingidos. Hoje, as novas casas de Bento e Paracatu de Baixo estão de pé, mas o Rio Doce continua marcado pela lama e pelos metais pesados. Uma década depois, a ferida ambiental e humana segue aberta — lembrando ao Brasil o preço da negligência.

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