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BH: mais de 100 servidores passam mal após consumir refeição em hospital

Problemas começaram a ser registrados nesta quarta-feira (8) no Hospital Júlia Kubitschek; sindicato denuncia condições inadequadas da alimentação

No Hospital Júlia Kubitschek (HJK), localizado no bairro Milionários, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte, pelo menos 110 servidores apresentaram sintomas de mal-estar após consumir refeições no refeitório da unidade. Os primeiros casos foram registrados na quarta-feira (8), com relatos de náusea, vômito, diarreia e cólicas.

O Sindicato dos Trabalhadores da Rede SUS (Sind-Saúde/MG) informou que, na quinta-feira (9), mais dez profissionais deram entrada no hospital com quadro compatível com intoxicação alimentar.

Laisa Alves, que atua no ambulatório de saúde da mulher do HJK, relatou que começou a se sentir mal ainda na noite de quarta-feira, após o almoço, e enfrentou dificuldades para ser atendida na unidade.

“Fiquei mais de uma hora e meia na urgência e não fui atendida. Disseram que estava superlotado, mas não havia essa quantidade de pessoas. Muitos colegas acabam retornando aos setores por causa da demora. É complicado, porque aconteceu dentro do hospital e não temos respaldo para atendimento”, desabafou.

A servidora não sabe qual alimento provocou os sintomas, mas afirmou que episódios semelhantes já ocorreram anteriormente, embora raramente tenham repercussão.


Sindicato denuncia más condições de alimentação

O Sind-Saúde/MG alerta que a intoxicação evidencia problemas recorrentes na alimentação do HJK, incluindo má higienização de utensílios e bandejas. A diretora-executiva do sindicato, Neuza Freitas, explicou que a situação afeta a rotina dos servidores, principalmente devido ao desfalque de profissionais adoecidos.

“Temos problemas com a alimentação há anos, incluindo bandejas, pratos e talheres sujos. Já fizemos diversos relatos à imprensa, mas a situação persiste. A preocupação agora é garantir a qualidade da comida e a correta aplicação do dinheiro público, independentemente da empresa fornecedora”, disse Freitas.

A sindicalista questionou ainda o processo de licitação da empresa responsável, apontando que a contratada ficou em quarto lugar no certame, enquanto a vencedora não possuía registros de irregularidades sanitárias. O sindicato notificou o Ministério Público de Minas Gerais, o Tribunal de Contas do Estado e membros da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa sobre o caso.


Fhemig se posiciona

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) afirmou que o processo licitatório está sendo conduzido de acordo com a lei e que a empresa de alimentação possui indicadores para garantir a qualidade do serviço. Segundo a fundação, não houve relatos de ocorrências anteriores ao Serviço de Nutrição e Dietética (SND) da unidade.

Sobre os episódios recentes, a Fhemig declarou:

“Todas as medidas previstas em protocolo foram imediatamente adotadas. As equipes da Medicina do Trabalho, Segurança do Paciente e a empresa responsável pela alimentação foram acionadas. As Vigilâncias Sanitárias Estadual e Municipal já conduzem a investigação, com coleta de amostras. Até o momento, cerca de 100 servidores apresentaram sintomas, todos atendidos e acompanhados. Não houve relatos de casos em pacientes e acompanhantes.”


Impacto na rotina do hospital

Neuza Freitas destacou que o surto provocou desfalque significativo de profissionais, prejudicando a escala de atendimento. “Quando mais de 110 trabalhadores adoecem, setores inteiros ficam comprometidos. Médicos, enfermeiros e gestores precisaram se afastar, impactando diretamente o funcionamento do hospital”, explicou.


Casos semelhantes na região

Em Ibirité, na Grande BH, pelo menos 63 estudantes da Escola Técnica Sandoval Soares de Azevedo passaram mal após consumir um salpicão possivelmente estragado, no dia 7 de outubro. Nenhum caso apresentou gravidade, e a Vigilância Sanitária encaminhou amostras para análise da Fundação Ezequiel Dias (Funed).

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