A economia de Contagem segue estável diante das novas tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Pouco mais de um mês após a entrada em vigor do “tarifaço” — taxa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano —, em 6 de agosto, o município ainda não registrou impactos negativos relevantes.
O resultado positivo se deve a fatores como o diálogo constante entre poder público e setor privado, acordos comerciais diretos com compradores estrangeiros e a inclusão de centenas de produtos na lista de isenções tarifárias.
O que foi o “tarifaço”
Em 9 de julho de 2025, a Casa Branca anunciou a cobrança de 50% sobre a importação de produtos brasileiros, justificando que a balança comercial era desfavorável aos EUA. O argumento foi rebatido pelo governo brasileiro. Dias depois, Trump divulgou a exclusão de cerca de 700 itens da taxação, entre eles petróleo, celulose e suco de laranja.
Contagem e sua relação com os EUA
Os Estados Unidos ocupam posição estratégica para Contagem: são o principal destino das exportações e o segundo em volume de importações. O comércio entre as partes cresceu expressivamente nos últimos anos. Em 2024, as exportações contagenses para o país alcançaram US$ 210,8 milhões. No primeiro semestre de 2025, quatro dos cinco produtos mais exportados pelo município tiveram como destino o mercado norte-americano, o que resultou em superávit de US$ 69 milhões.
Somente entre janeiro e junho deste ano, as exportações somaram US$ 129,7 milhões, alta de aproximadamente 66% em relação a igual período de 2024.
Dados após a vigência da tarifa
Em agosto, os EUA receberam 47,3% de todas as exportações de Contagem — um pouco abaixo da média do semestre (50,4%). Mesmo com a nova taxação, o município embarcou US$ 16,7 milhões em produtos para os norte-americanos, crescimento superior a 100% em comparação com julho.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Luciano José de Oliveira, esse desempenho foi possível graças às negociações entre empresas locais e clientes nos EUA. Em muitos casos, fornecedores e compradores dividiram o impacto da tarifa, permitindo a manutenção dos contratos, sobretudo no setor eletroeletrônico, responsável por grande parte das vendas externas. Além disso, a lista de isenção favoreceu o equilíbrio.
Perspectivas
Embora o município tenha resistido bem ao primeiro mês do “tarifaço”, estima-se que entre 18% e 27% das exportações ainda estejam sujeitas à cobrança, principalmente produtos como tijolos, cimento, ladrilhos e argamassas.
Para a Prefeitura, a estratégia de incentivar a instalação e permanência de empresas de alta tecnologia, essenciais para cadeias produtivas globais como a de data centers, tem sido decisiva. Apenas no setor de transformadores elétricos, o valor exportado em 2025 já dobrou em relação ao ano anterior.
“Contagem não sentiu ainda os efeitos do ‘tarifaço’, graças à dinâmica de investimentos da prefeita Marília, especialmente em infraestrutura viária, mobilidade e transporte público, que ajudaram a reduzir custos logísticos e a fortalecer a competitividade das empresas locais”, destacou o secretário.








