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Do brilho dos gramados ao peso da Justiça: Carlo Ancelotti é condenado por fraude fiscal na Espanha

O consagrado técnico Carlo Ancelotti, atual comandante da Seleção Brasileira e dono de uma das trajetórias mais vitoriosas do futebol mundial, viu seu nome sair das manchetes esportivas para ocupar as páginas do noticiário judicial. O italiano foi condenado a um ano de prisão pela Justiça da Espanha, acusado de fraude fiscal cometida em 2014, durante sua primeira e glamourosa passagem pelo Real Madrid.

Segundo a sentença, Ancelotti deixou de declarar à Receita espanhola os ganhos com direitos de imagem naquele ano, somando uma evasão de impressionantes 1.062.079 euros — algo em torno de R$ 6,6 milhões na cotação atual. A pena, embora simbólica por estar abaixo dos dois anos (e, portanto, dificilmente levada ao regime fechado para réus primários), inclui ainda uma multa de 387 mil euros (cerca de R$ 2,4 milhões) e a proibição de acessar subsídios públicos por três anos.

O caso, revelado pela agência de notícias EFE, é mais um episódio de uma série de escândalos que abalaram o universo do futebol espanhol — um cenário onde ídolos e estrelas, entre eles nomes como José Mourinho e Lionel Messi, também enfrentaram acusações semelhantes.

Durante o julgamento realizado nos dias 2 e 3 de abril — antes de sua contratação pela Seleção —, Ancelotti defendeu-se com firmeza, afirmando jamais ter tido intenção de burlar o fisco. “Nunca percebi que havia algo errado. Eu apenas queria receber meu salário líquido. Foi o clube que propôs esse sistema e colocou meu consultor em contato direto com o Real Madrid”, declarou o treinador, hoje com 66 anos, ao Tribunal Superior de Justiça de Madri.

Ancelotti, com sua postura serena e firme no banco de reservas, se viu diante de um cenário bem diferente: o da frieza da Justiça, onde o carisma e os títulos não bastam. Mesmo absolvido da acusação referente a 2015, o episódio mancha — ainda que discretamente — a imagem de um dos técnicos mais respeitados da história do futebol.

Enquanto se prepara para liderar o Brasil em uma nova era de conquistas, Carlo Ancelotti carrega agora o peso de uma condenação que ressoa além das quatro linhas — um lembrete de que, mesmo no topo, ninguém está imune ao rigor da lei.

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