No Dia da Consciência Negra, celebrado hoje, 20 de novembro, o Brasil acorda com uma daquelas estatísticas que fazem qualquer evento social perder o brilho: mais da metade da população negra do país simplesmente não sabe como denunciar casos de racismo. Sim, em pleno 2025, 52,2% das pessoas pretas e pardas seguem sem saber qual porta abrir quando a violência racial bate à sua. E olha que o estudo dos institutos Orire e Sumaúma veio justamente para escancarar esse “abismo informacional”, como definiu Thais Bernardes, fundadora do Orire.
Na pesquisa, 423 pessoas participaram (310 pretas, 113 pardas) e o cenário é de cair o queixo: só 47,5% conhecem as leis antidiscriminatórias e apenas 20,3% acreditam que uma denúncia realmente chegará a algum lugar. Enquanto isso, o racismo passeia solto: 59,3% já foram vítimas durante seus deslocamentos pela cidade, mas 83,9% jamais registraram ocorrência. Motivo? Um sistema que mais parece um labirinto que desencoraja justamente quem mais precisa de proteção.
E se alguém ainda confunde racismo com injúria racial, 77,1% dizem saber a diferença. Mas saber não basta, como lembra Thais, “o conhecimento empodera, mas ações estruturais é que rompem o ciclo”.
Num país onde pretos e pardos são 55,5% da população, fica a dica neste 20 de novembro: denunciar é direito. E o caminho existe, casos do Disque 100, delegacias, MP e Defensoria. O que não dá é aceitar o silêncio como regra. Hoje é dia de consciência, mas ela precisa durar o ano inteiro.








