E a CPI das Bets continua, dessa vez com mais um “interrogatório” – ou será melhor dizer, “bate-papo”, que teve direito a recadinho para familiar, declaração de fã e pouco se viu, de fato, algo relativo a investigação. A personagem da vez foi a influenciadora e apresentadora Virginia Fonseca, que afirmou, nessa terça-feira (13) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets que não se arrepende dos anúncios que fez para empresas de apostas e que não tem como ajudar seguidores que pedem socorro.
Bom, sem fazer juízo de valor quanto a isso, mas até onde vai a responsabilidade de pessoas que possuem milhões de seguidores? Pior, até onde vai a cara de pau de políticos, que em vez de investigar, se fazem de fãs e pedem beijo para pessoas de seu grupo familiar? Será que essa CPI vai ter algum resultado minimamente satisfatório? Difícil, como tantas outras que acabaram “em pizza”.
A CPI, dizem, investiga – ou deveria – a promoção de jogos de azar on-line feita por influenciadores digitais. A prática é considerada problemática, especialmente porque muitos dos seguidores são menores de idade ou pessoas vulneráveis a problemas com jogos. Além disso, também investiga eventuais irregularidades nos contratos de publicidade, que seriam atrelados ao quanto os apostadores perdem. Contudo, quando há dinheiro entrando na conta de uns – ainda que saiam de outros, muito menos favorecidos – parece que não incomoda muito. Nem a quem faz as “publis” nem quem deveria investigar os atos.
“Olha, senadora, eu não me arrependo de absolutamente nada do que já fiz na minha vida. Acredito que tudo serviu de ensinamento. Então, eu fiz e, hoje, estou aqui depondo para colaborar com vocês e espero que ajude”, disse Virgínia, ao ser questionada pela senadora Soraya Thronicke. “Eu vou falar por mim. Quando eu posto, sempre deixo muito claro que é um jogo, que pode ganhar e pode perder. Que menores de 18 anos são proibidos na plataforma. Se possui qualquer tipo de vício, o recomendado é não entrar. E para jogar com responsabilidade”, completou, em outro momento da conversa.
Virginia também disse que segue as recomendações do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) sobre o tema, e que nunca disse aos seguidores que as pessoas deveriam apostar para “fazer o dinheiro da vida”.
Bom, pessoalmente, jogos de azar nunca foram uma saída ao brasileiro. A regulamentação e a investigação se fazem necessárias, de forma séria e comprometida, devendo ser ouvido quem faz parte de tudo isso. Em outros locais, onde o próprio personagem participa da situação, então, deveria haver banimento do esporte, multa e prisão. Jogadores, árbitros, treinadores, dirigentes e tantos outros, do meio esportivo, por exemplo, deveriam ser, ao menos, observados. Em um país em que a impunidade acontece – e não é de forma velada -, não será um bate-papo sem chá com torradas que ira resolver alguma coisa. A conversinha de hoje, pelo visto, mais valeu para tomar tempo de uns e preencherem de outros, fãs, para uma linda tarde de sol em Brasília.








