Estamos entrando em março o Cruzeiro continua no mundo das possibilidades. Da chance de ter uma semana para treinar – teve -, da melhoria do entrosamento – teve -, da sequência de jogos – teve. Mas o que se vê em campo, é a mesma coisa dos primeiros jogos. Não há evolução. Não se vê, nos olhos dos jogadores, qualquer tipo de brilho, de gana, de vontade de vencer. Diante do Corinthians, mais do mesmo. A diferença para o desempenho no segundo tempo para o jogo contra o Coritiba é que o Corinthians não foi competente para virar. Teve chance, mas falhou demais.
Alguns, fazendo um contraponto, vão dizer que Tite não entra em campo e não perde gols. Concordo. Mas ele não tira lateral amarelado, insiste em deslocar Gerson para a direita – onde não rendeu no Cruzeiro – , coloca o Arroyo num ponto em que ele só utiliza a perna direita, sendo canhoto e o time não consegue diminuir a distâncias das linhas defensivas e ofensivas para o meio. O time não ataca nem defende em bloco, sendo um emaranhado, principalmente na segunda etapa, quando o físico sucumbe, quando possibilita ao adversário mostrar algo de diferente e até vencer. O Cruzeiro é um time morto taticamente, com desempenhos individuais que, por vezes, beira o ridículo, com alguns atletas de categoria maior querendo dar passe de calcanhar, toquinho por cima, bater falta cmo craque, sem pensar no coletivo. Isso mata um time, que já tem um técnico sem energia e tática – além de mexer muito mal.
O Cruzeiro não engrena. Mostrou, nos primeiros 45 minutos, até algo aprazível. Mas com firulas, desperdícios e erros individuais, não levou vantagem suficiente para terminar o jogo com os três pontos. Aliás, se viu recuar, levar pressão e gol. E olha que o Corinthians poupou muitos atletas. Titulares como Depay e Garro no banco, além de jogadores importantes, como Yuri Alberto, machucados. O Cruzeiro não aproveitou a chance, de novo, e viu o coro de “adeus, Tite”, ecoar. Com razão. Técnico que demora a mexer e, quando mexe, deix ao time pior, não pode ficar.
Eu já perdi a paciência e não tenho estômago para ouvir/ver a entrevista dele no pós-jogo. A cara do Pedrinho, de decepção e com a mão no rosto simboliza toda uma nação de 9 milhões de torcedores. Contudo, quem tem a caneta e insiste no erro é quem gerencia o clube, que sequer deveria ter trazido Tite e sua turma para afundar um time que estava no caminho certo. O Cruzeiro precisa de um técnico com gana, energia, métodos. Tite, há mais de 10 anos, não sabe o que é isso. Parou no tempo e o Cruzeiro ainda fica nessa. Mineiro virou foco e o Brasileiro virou rombo. O ano está perdido? Ainda não. Mas quanto mais insistirem em dar murros em ponta de faca e com atletas que, assim como outros, de um passado não tão longevo, não se importaram com a instituição, é daí para uma vergonha maior.
A história está aí para exemplificar a qualidade de erro gerencial.








