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A pancreatite que o Cruzeiro entrou é arriscada, perigosa e pode custar o ano

Muita gente está falando que ainda é início de trabalho, que a questão física está pesando, mas o concreto, mesmo, é que o Cruzeiro, até aqui, esqueceu o futebol em 2025. Ou isso, ou o Jardim levou tudo com ele para Portugal. Por mais que alguns jogadores estejam longe de estar no auge do preparo, a maioria dos clubes também está. Questão e gramado, de clube em formação também não entra em discussão: isso já está aí desde que o futebol existe. Agora, uma coisa é fato: a disposição tática do Cruzeiro sumiu.

O time não se encontra, há um enorme espaço entre defesa e meio-campo, a marcação deixou de ser compacta e a defesa parou de defender em bloco e sair em contra-ataque rapidamente, como fez e encantou em 2025 com os mesmos jogadores que estão no time hoje. É inacreditável que em um mês haja uma mudança – para o mal – de uma equipe que poderia ter sido campeã brasileira, se não fossem os tropeços absurdos e as falhas de arbitragem. Esse time do Tite parece estar com preguiça, desajustado, doente. Parece um time com pancreatite, já aproveitando o trocadilho.

A cada jogo, as mesmas escolhas – que dão errado. Gerson na ponta e Christian – quando aproveitado – jogando pelo centro e do lado esquerdo, onde rende bem menos -, Wanderson na ponta sem ser agudo, Matheus Pereira longe do gol adversário em boa parte do jogo, fora as demoras em alterar equipe e, pior, escolhas erradas nas substituições, tanto de quem sai como quem entra. Tite se mostra perdido. A palidez e falta de energia ao lado do campo reflete o futebol medíocre e sonolento de um time de imenso potencial. E não é superestimando o elenco: o time do Cruzeiro, no papel, jamais tomaria de 4-0 para o Botafogo, fora o show de bola no segundo tempo.

O Cruzeiro jogou bem o primeiro tempo? Até que sim. Teve chances de marcar, como o Botafogo também teve e parou em Cássio. Mas na volta do segundo tempo pareceu que o Cruzeiro, de novo, tomou um rivotril e fo jogar bola. Que segundo tempo tenebroso! E na parada técnica, Tite não mostrava nenhuma empolgação, nenhuma cobrança. Aquela conversa que se vê em varanda do interior, se muito. A cara dos jogadores era a pior possível. Conversinha fiada que não dá resultado não adianta. Ou trata a doença ou o corpo esmorece.

Pedrinho, assim como em 2024, iniciou o ano trazendo um técnico que a torcida não queria. Dessa vez trouxe a mesma qualidade de Diniz, mas com grife e currículo. Há tempos Tite não faz um trabalho que possa ser colocado na conta dele. Já pelo lado negativo, um monte de desastres e desfechos lamentáveis pode. Teve duas Copas do Mundo para mostrar um futebol minimamente bom. Foi anímico. Entrevistas sonolentas, achando que deve dar palestra – nada motivacionais, inclusive.

Respeito o senhor Adenor. Acho que ele é uma boa pessoa. Mas para ser técnico precisa de vibração. Perderam o Jardim e mudaram, por completo, o estilo de quem estava à beira do campo. O Cruzeiro não tem intensidade mais, não tem sistema tático. É só bolinha na área e um monte de problema. Há muito talento sendo desperdiçado e outros, sendo negociados. O desmanche que Tite está conduzindo vai deixar o time sem opções em vários setores. A leitura de jogo e de elenco que ele faz é fatídica. A culpa é só dele? Não. Mas ele é o epicentro de um terremoto que começou. Ou as coisas são consertadas ou o estrago vai ser maior e o vexame também.

 

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João Vitor Viana

João Vitor Viana é jornalista formado, advogado e pós-graduado em marketing

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