Direto de Guarapari – A conhecida “Praia dos Mineiros” no Espírito Santo, enfrenta há 10 (sim, dez) dias uma das suas maiores crises hídricas dos últimos tempos e moradores já pedem que os Turistas não venham para a Cidade.
A famosa “Cidade Saúde” é um dos maiores recebedores de Turistas do ES. Somente neste fim de 2025, a Cidade recebeu 10x mais pessoas e, cerca de 80% delas são de Minas Gerais. É tão comum achar moradores da Grande BH e de outros municípios mineiros na praia, que já virou tradição (e meme) chamar Guarapari de “Quintal de Minas”.
Mas as coisas não andaram muito bem desde o Natal: A Cidade Capixaba passou por um desabastecimento, deixando praticamente 11 bairros sem água.
Problema antigo
Não é de agora que Guarapari sofre com falta d’água. Em quase todo o Verão existem ocorrências de desabastecimento em bairros mais afastados ou mais altos. Há relatos de falta d’água desde a década de 90, quando a Cidade ainda tinha, aproximadamente, metade dos atuais 125.000 habitantes (segundo o último CENSO de 2022).
A Companhia Espírito Santense de Saneamento – CESAN – não acompanhou o crescimento do Município, principalmente o seu “boom” imobiliário (por volta de 40 empreendimentos nos últimos 6 anos, incluindo Edifícios e condomínios horizontais) e não se preparou para minimizar este problema.
O que aconteceu neste Verão
Desde o último dia 25 de Dezembro de 2025, a população começou a se queixar da falta de água nos bairros, em alguns até muito conhecidos e frequentados pelos Mineiros, como Setiba e Santa Mônica.
No Réveillon, metade do Município já estava sem água, trazendo transtorno, incômodos e muita reclamação, o que fez a Prefeitura se ver obrigada a acionar Cidades vizinhas, como Vitória e Anchieta para fornecimento de água através de caminhões pipa, o que foi insuficiente e que gerou até brigas em alguns bairros. A CESAN, que já deveria ter feito isso antes, demorou a ampliar o número de caminhões pipa, deixando ainda mais pessoas na expectativa do retorno do abastecimento.
Logo em seguida, a CESAN emitiu nota à imprensa informando que o desabastecimento foi causado por um “enorme gato” na rede no distrito de Cachoeirinha, zona rural de Guarapari. O Presidente da Companhia, Munir Abud, ratificou que a causadora foi realmente este furto e que o abastecimento seria completamente reestabelecido até hoje (07), porém, até o fechamento desta matéria, bairros como Santa Mônica, Santa Rosa e Portal Club ainda tinham pontos sem água.

Pessoas nas redes sociais além de pedir providências mais urgentes aos políticos, CESAN e Governo do Estado, também pediam para que os mineiros fossem embora ou deixassem de vir para Guarapari neste verão.
Contradições nas informações
Segundo apurado pelo Portal 31, a captação de Cachoeirinha sozinha não seria capaz de desabastecer a Cidade inteira. Antigos Agentes de Defesa Civil do Município relataram que existem mais outras 3 grandes captações de água, porém, apenas 2 ETA’s (Estação de Tratamento de Água) para dar conta de toda a Cidade (Guarapari tem cerca de 5x o tamanho de Vitória, Capital do ES).

Além disso, fontes dão conta que novas captações nunca foram feitas e as atuais nunca foram ampliadas, muito menos represamentos foram feitos para suprir uma possível falta d’água no Município. Munir já havia declarado que já não haveria desabastecimento em Agosto de 2024, como divulgado pelo Portal ES Brasil. Sem contar na suposta manipulação na pressurização da rede de abastecimento, favorecendo os bairros com maior densidade de pessoas, como a Praia do Morro.
Caso já houvesse uma rede mais estruturada, ao chegar em uma época de excesso de uso da rede de abastecimento (que geralmente ocorre nos dias que antecedem o Réveillon e nos dias de Carnaval) ou, ainda, em uma possível crise hídrica por estiagem, a Cidade (e os bairros mais afastados ou altos), não seriam afetados tão drasticamente.
As “fake news”
Muitas pessoas e, até mesmo, influencers com grande alcance começaram a espalhar notícias falsas sobre os acontecimentos, inclusive sobre um possível surto de rotavírus por conta do desabastecimento.
O que é verdade e que foi apurado pela nossa equipe é que realmente houve uma superlotação no UPA da Cidade, porém, isso é considerado “normal”, haja visto que só existe 1 (sim, um) único UPA para atender toda a população. Além disso, como já dito acima, Guarapari passou a ter 10x mais pessoas em um curto período, logo, mesmo se tivesse 2 ou mais UPA’s na Cidade, não daria conta.

Nas Praias da Cerca, do Riacho e de Meaípe, existem fozes de riachos que, infelizmente, sofrem com degradação e poluição. Com o aumento populacional, o esgoto com ligação clandestina nestes riachos tendem a aumentar e, por isso, aparentam ser valões. Estes casos são problema pontuais e difíceis de se resolver, como no Rio Arruda em Belo Horizonte ou Tietê em São Paulo.
Guarapari não tem grandes valões abertos há muitos anos e o novo sistema de macrodrenagem evita que os antigos transtornos de esgoto na areia da Praia do Morro, por exemplo, voltem a se repetir, porém, o sistema não está 100% funcional quanto à captação das águas de chuva por erro de projeto.
Quais medidas serão feitas?
Ainda não se sabe qual é o posicionamento da Prefeitura de Guarapari quanto à toda esta situação. Recentemente, nas redes sociais da Administração Municipal, o Prefeito Rodrigo Borges informou que acionou a entidade que cuida da fiscalização do contrato entre o Executivo e a CESAN e que aguarda relatórios tanto da Agência Fiscalizadora, quanto da Defesa Civil Municipal para sanções mais severas.
Já a CESAN, além de prometer uma usina de dessalinização para a região, informou que tomará providências para que nada disso ocorra novamente, pedindo desculpas à população e ficando à disposição de quem ainda está com o abastecimento comprometido.
Para uma Cidade, do tamanho e da importância de Guarapari que só tem uma rodoviária há 10 anos e um hospital há pouco mais de 1 ano, resolver o problema de água é questão de tempo. Só não se sabe quanto.








