Quem viveu os anos 90 no país, principalmente após período de Ditadura Militar, sempre esperou por um país democrático e representativo. Logo na primeira eleição, em 1989, Fernando Collor foi o escolhido para conduzir a nação por quatro anos. Não durou 3/4 do mandato, sendo o primeiro presidente a sofrer impeachment na história. Contudo, todas as investigações contra ele caminharam a passos de tartarugas e nunca deram em nada. A maior das punições foi não poder se candidatar por oito anos. A partir de 2000 pôde voltar à vida política.
Collor foi eleito senador, se candidatou a governador de Alagoas – e perdeu – e teve uma vida bem normal nesse tempo que se sucedeu, até semana passada. Chegou a ser preso, o que para muitos, como eu, que viu tudo acontecer, pareceu ser uma justiça tardia – ainda que por crimes posteriores – mas que não falha. Ledo engano: já foi conduzido à sua cobertura de luxo, em prisão domiciliar. Ou seja: a condenação de alguém branco, poderoso é assim: fique em casa! Nada além! Absurdo! Se fosse preto e pobre, no Brasil, a mão pesaria diferente, infelizmente.
O Brasil é o país da impunidade. O país que julga com referências pessoais, por cor, por ofício, por influência, por dinheiro. Quem tem “pedigree”, pouco fica atrás das grades. Quando fica, é porque não há nada mais a se fazer. Mas é um percentual tão irrelevante, que nem deve constar no histórico. Aos curiosos em visitar penitenciárias, é fácil ver a realidade: basta visitar uma, um dia e verificar qual a característica dos presos. Negro, com menos instrução, normalmente defendidos publicamente. Brancos são minorias, a não ser que não tenham recursos.
Ao que parece, entra ano, sai ano, a cadeia continua destinada ao preto, pobre e sem uma defesa digna. Para marajás – ou caçadores -, surrupiadores de poupança, criminiosos de alta patente, mas com influência, dinheiro e poder, isso não faz mínima cócega. Aliás, pode até fazer, mas causa apenas risos. Esse tipo de estereótipo de pessoa – normalmente políticos e/ou pessoas de notório poder familiar – fica pouco tempo vendo o sol nascer quadrado. Mas estamos no Brasil. E aqui é assim: pune-se quem não tem muito ou já é rotulado de bandido. Os colarinhos brancos, esses têm apenas um tempo para dar um “break” no seu breakfast com brioches e lagostins. Logo, logo já voltam à esbórnia em suas mansões, com um artigo no tornozelo, mas que, cá para nós, nem sabemos se monitoram. Sabem aquele período onde tudo estava bem normal para o ex-presidente? Agora, em sua cobertura, poderá voltar aos seus afazeres diários, com luxos, sem problemas ao Estado, que julga sabendo que não pune. Não esse tipo de gente…








