O Rio de Janeiro vive um de seus momentos mais violentos dos últimos anos. Desde o início da semana, confrontos intensos entre facções rivais e forças de segurança transformaram comunidades inteiras em zonas de guerra. As operações começaram após a fuga de criminosos de áreas dominadas pelo tráfico, mas rapidamente se espalharam por diferentes regiões da capital fluminense. Mais de 60 corpos foram levados para a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, entre a noite de ontem e a manhã de hoje, um dia após a operação mais letal da história do Rio de Janeiro. Número de vítimas divulgada é de 119.
No começo da manhã, 65 corpos foram deixados na praça à medida que eram recuperados por moradores. Ao menos 25 deles estavam em uma área de mata, no alto da Serra da Misericórdia, além de outras regiões. A imprensa presenciou familiares de alguns dos assassinados acompanhando, em desespero, a remoção e contagem das vítimas. Corpos não estão na contagem oficial dos 64 mortos confirmados pelo governo do Rio ontem. A informação de que os corpos não fazem parte da contagem oficial foi confirmada pelo comandante da Polícia Militar do Rio à TV Globo na manhã de hoje. Ele disse, porém, que não é possível até o momento confirmar que as mortes têm ligação com a operação.
Além dessas vítimas, outras seis pessoas mortas foram deixadas por um carro na porta do Hospital Getúlio Vargas na madrugada. O local também recebeu os feridos da operação de ontem, mas não deu atualização sobre o estado de saúde deles até o momento.
As autoridades afirmam que as ações são necessárias para conter o avanço das facções e recuperar territórios dominados pelo crime. Já organizações de direitos humanos denunciam o uso excessivo da força e o impacto sobre inocentes, destacando que o Estado age sem planejamento e sem preocupação com quem vive nas favelas.
Enquanto o governo do estado promete “restabelecer a ordem”, a sensação é de colapso. O Rio, mais uma vez, se torna palco de uma guerra que parece não ter fim, onde o poder das armas fala mais alto que a voz do povo, e a paz segue sendo uma promessa distante.








