Diante do aumento de casos de intoxicação por metanol, o Ministério da Saúde está intensificando esforços para garantir o acesso a antídotos eficazes. Até o momento, o Brasil depende majoritariamente do uso de etanol farmacêutico — que já foi adquirido em 4,3 mil ampolas pelo governo — como forma de bloqueio metabólico ao metanol.
No entanto, há um remédio reconhecido como padrão-ouro no tratamento de intoxicações graves: fomepizol. Ele atua inibindo diretamente a enzima álcool desidrogenase, que converte o metanol em metabólitos tóxicos, como formaldeído e ácido fórmico. Sua adoção é limitada no Brasil por questões de disponibilidade e importação.
Para conquistar acesso internacional, o governo acionou a Anvisa para realizar um chamamento global envolvendo dez das principais agências reguladoras do mundo — entre elas Japão, Estados Unidos, União Europeia e China — com o objetivo de conseguir fornecedores confiáveis do fomepizol. Também foi solicitado apoio à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para doação emergencial de 100 tratamentos e negociação de mais 1.000 unidades por meio de linhas de crédito da organização.
No Brasil, o surto segue em expansão: já são 113 casos notificados entre confirmados e suspeitos, com 12 mortes em investigação até o momento. O estado de São Paulo concentra a maior parte dos registros.
O principal desafio agora é acelerar a importação e regulamentação do fomepizol, o que envolve trâmites internacionais e alinhamento regulatório — daí o interesse nos órgãos reguladores de países como o Japão. Embora não haja confirmação de que o antídoto já está “a caminho” do país asiático, a articulação global aponta para essa possibilidade como parte da estratégia brasileira de ampliar o arsenal terapêutico.
Enquanto isso, médicos reforçam que o tratamento deve ser iniciado com rapidez. Quanto mais cedo o etanol ou o fomepizol for administrado, maiores as chances de evitar sequelas graves — especialmente danos à visão ou ao sistema nervoso central. Em casos extremos, usa-se hemodiálise para remover toxinas já formadas.
Este momento exige mobilização global: sem o antídoto ideal em estoque doméstico, o Brasil aposta nas negociações internacionais como peça-chave para salvar vidas e conter esse cenário alarmante de envenenamento por metanol.








