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ONU em cena: discursos, vaidades e um esvaziamento constrangedor

A reunião da ONU desta semana pareceu mais um palco de egos do que um fórum de nações. Cada líder subiu ao púlpito com seu figurino de estadista e seu roteiro ensaiado, mas o espetáculo entregou muito mais sobre vaidade política do que sobre soluções reais para os problemas globais.

Lula foi um dos primeiros a discursar. Com o tom professoral, que lhe é habitual, mandou recados claros contra ataques às instituições brasileiras, repetindo o mantra da defesa da democracia e condenando guerras e genocídios. Falou como quem sabe que sua voz ecoa – e forte – no cenário internacional. Quem ouviu, percebeu a mensagem. Uns aplaudiram, outros, como Donald Trump, abaixaram um pouco a guarda.

O presidente dos EUA, aliás, tentou roubar a cena. Como sempre, teatral, inflamado e cínico, ele usou a tribuna para falar da proteção ao mercado interno de seu país, das necessidades que o país tinha em taxar como forma de não sucatear produtos e empresas norte-americanas.  Deu uma espécie de show para os seus, mas mudou um pouco o tom quanto ao Brasil. Disse que vai conversar com Lula, com quem disse ter “tido uma química boa”. Constrangedor para aqueles que veem nele uma pedra no sapato do Brasil, inclusive quem está morando nos EUA há meses, buscando formas de proteção familiar.

Mas o ápice da encenação veio quando o líder de Israel pegou o microfone. O plenário esvaziou-se como quem abandona uma festa depois que a música acaba. Fileiras inteiras de assentos vazios foram a resposta silenciosa – e ruidosa – da comunidade internacional à política israelense, marcada por ataques a Gaza e pelo desprezo às vidas civis. Foi o gesto simbólico mais forte da semana: a recusa em legitimar, sequer com a presença física, um discurso que muitos já consideram insustentável. Recentemente uma série de países reconheceram a Palestina como Estado, aliás.

O que vai evoluir disso tudo? Vamos acompanhar!

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João Vitor Viana

João Vitor Viana é jornalista formado, advogado e pós-graduado em marketing

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