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Mulheres Negras de Contagem são homenageadas por trajetórias de luta e protagonismo social

Em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a Prefeitura de Contagem realizou, na sexta-feira (25/7), a entrega do 12º Prêmio Efigênia Francisca. O evento aconteceu na Irmandade do Rosário Os Ciriacos, na região da Ressaca, e homenageou 15 mulheres negras com atuação de destaque na cidade e no estado de Minas Gerais. As premiadas foram reconhecidas por sua contribuição na promoção da igualdade racial e no enfrentamento ao racismo, cada uma em sua área de atuação, reafirmando o protagonismo feminino na construção de uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva.

A cerimônia foi coordenada pela Superintendência de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania. Criado em 2014, o prêmio se consolidou como uma importante iniciativa de valorização das trajetórias negras femininas na cidade. Durante o evento, além dos discursos emocionantes das homenageadas, o público pôde acompanhar uma apresentação mística e a tradicional reza da Irmandade do Rosário Os Ciriacos.

As categorias premiadas refletiram a pluralidade de saberes e lutas das mulheres negras: resistência quilombola; defesa de direitos e combate à violência contra a mulher; atuação na cultura, na educação e nos Congados; liderança comunitária e religiosa; trabalho com juventudes, pessoas idosas e com deficiência; cultura Hip Hop; e empreendedorismo negro.

Para o secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Marcelo Lino, o prêmio representa o reconhecimento de histórias de resistência, força e transformação. “Estamos aqui para reverenciar mulheres que constroem diariamente uma cidade mais humana, justa e comprometida com os direitos humanos e com a cultura antirracista e antisexista. Contagem segue empenhada na promoção da igualdade e no respeito às múltiplas formas de existir e resistir”, afirmou.

A secretária das Mulheres e Juventudes, Camilla Marques, destacou o simbolismo da premiação ao lembrar de figuras históricas como Teresa de Benguela, referência nacional de liderança quilombola. “Valorizar o nome de Efigênia Francisca é também reconhecer cada uma dessas mulheres como fonte de inspiração, força e transformação social”, ressaltou.

João Pio, superintendente de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, reforçou o papel do evento como espaço de visibilidade e legitimação das lutas femininas negras. “É fundamental que essas histórias sejam contadas, celebradas e colocadas no centro das políticas públicas. Essas mulheres transformam seus territórios e mantêm vivas culturas e tradições que muitas vezes são ignoradas ou marginalizadas”, afirmou.

Histórias que inspiram gerações

Mãe Sônia de Oxóssi, premiada na categoria de liderança das religiões de matriz africana, é matriarca da comunidade Nkisse Netos De Bate Folhinha, à qual pertence há quase 40 anos. “É um reconhecimento importante para nós, mulheres negras. Hoje temos mais liberdade para viver nossa fé, mas ainda enfrentamos desafios. Esse prêmio simboliza orgulho e valorização dos nossos ancestrais e da nossa luta”, declarou emocionada.

A gestora de patrimônio cultural Érica Corrêa, premiada pela atuação na cultura, falou sobre o impacto simbólico da homenagem. “Muitas vezes não sabemos o alcance do nosso trabalho. Ser vista, reconhecida, é algo que fortalece não só a mim, mas muitas outras mulheres negras. Ser inspiração para meninas que duvidam do seu lugar é o maior prêmio”, afirmou.

Na categoria de cultura Hip Hop, a premiada foi Marcela de Souza, designer de moda, figurinista e instrutora de corte e costura. Atuante há uma década no cenário cultural e na formação de mulheres privadas de liberdade, ela destacou o poder transformador da arte. “A costura é um processo de construção de identidade. Levo isso para dentro do sistema prisional e vejo vidas sendo transformadas. O prêmio representa a excelência do trabalho das mulheres negras, que seguem resistindo e criando”, disse.

Já a diretora da Escola Municipal Jenny de Andrade Faria, Marta Siqueira, foi reconhecida pelo trabalho na educação. Ela atua desde 2009 na rede pública e coordena o projeto “Cinco Tons de Pele”, voltado à valorização da identidade étnico-racial. “Quando as crianças se veem representadas, elas se sentem protegidas. Ser uma mulher negra e estar ali, na gestão, faz toda a diferença. Este prêmio reconhece isso”, concluiu.

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